Polícia Federal e MTE desarticulam irregularidades e apreendem arsenal em fazenda de Porto Murtinho

Uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul, desarticulou uma situação de irregularidade trabalhista e resultou na apreensão de um arsenal. A ação, deflagrada na quinta-feira, dia 17, teve como alvo uma propriedade rural onde se apurava possível submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão e tráfico de pessoas para fins de exploração laboral. A fazenda pertence a Carlos Bernardo, candidato a deputado federal, que nega as acusações.

Ação operacional e indícios de irregularidades

As equipes da Polícia Federal e do MTE cumpriram um mandado de busca e apreensão na fazenda, localizada na fronteira do Brasil com o Paraguai. A investigação foi iniciada a partir de informações que apontavam para o recrutamento informal de trabalhadores estrangeiros, que estariam sendo mantidos na propriedade em situação de vulnerabilidade. Durante a operação, foram localizados 23 trabalhadores em situação trabalhista irregular.

Os elementos apurados pelas autoridades indicam a ausência de registro trabalhista, a possível retenção de pagamentos e a existência de restrições à liberdade dos trabalhadores. A ação conjunta ressalta o trabalho técnico das forças de segurança e fiscalização na proteção dos direitos humanos e na garantia de condições dignas de trabalho, reforçando o compromisso com a legalidade e a ordem social.

Apreensão de armamento irregular e continuidade investigativa

No curso das diligências, as equipes da Polícia Federal apreenderam 14 armas de fogo de grosso calibre e diversas munições na propriedade rural. As armas estavam em situação irregular, e algumas delas apresentavam numeração suprimida, o que agrava a situação e indica uma possível conexão com atividades ilícitas mais amplas. A apreensão do armamento representa um resultado operacional significativo, neutralizando a presença de meios potencialmente perigosos na região.

As investigações prosseguem sob responsabilidade da Polícia Federal para esclarecer todas as circunstâncias dos fatos, identificar os eventuais responsáveis pelas irregularidades trabalhistas e pela posse do armamento ilegal, bem como outros envolvidos. O trabalho técnico visa consolidar as provas e garantir a responsabilização dos implicados, fortalecendo a segurança jurídica e a ordem pública.

Esclarecimentos do proprietário da fazenda

O candidato a deputado federal Carlos Bernardo, proprietário da fazenda alvo da operação, divulgou uma nota à imprensa por meio de seu advogado, Alexandre Oliveira. No comunicado, o político nega categoricamente a existência de trabalhadores em condições análogas à escravidão na propriedade, afirmando ter absoluto interesse no completo esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes.

Em sua defesa, Bernardo alega que os salários dos trabalhadores variam entre R$ 2.500 e R$ 4.000, e que os empregados teriam liberdade para dispor de sua remuneração. Ele também menciona que os alojamentos dispõem de quartos climatizados e que os trabalhadores recebem alimentação completa gratuitamente, incluindo café da manhã, almoço, lanche e jantar. Quanto ao arsenal encontrado, o proprietário nega ser o dono, alegando que as armas pertenceriam aos próprios trabalhadores, e que este ponto deve ser esclarecido pelas investigações. A defesa também informou que apresentará às autoridades um histórico de conflito trabalhista com um ex-funcionário, para contextualizar os fatos que precederam a fiscalização.

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