Em um resultado operacional significativo, a Justiça do Paraguai condenou Alcides de Jesús Villasboa Peralta, conhecido como “Ropero”. Ele foi considerado o mandante do ataque no Ja’umina Fest, em janeiro de 2022, que matou duas pessoas. A decisão judicial, quase 5 anos após o ocorrido, é um avanço no combate à criminalidade organizada transnacional.
Villasboa, integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), sentenciado a 22 anos de prisão. O ataque visava Marcos Rojas Mora, mas vitimou a influenciadora Cristina “Vita” Aranda. Esta condenação reforça a atuação das autoridades em punir crimes de alta complexidade e proteger a sociedade.
Sentença Judicial e Responsabilidades Definidas
O Tribunal de Sentença paraguaio, com juízes Federico Rojas, María Luz Martínez e Dina Marchuk, proferiu a decisão unânime nesta segunda-feira (5). Alcides Villasboa foi culpado por homicídio doloso (instigador), associação criminosa e posse ilegal de arma com numeração adulterada, confirmando sua mentoria no crime.
O policial Junior Michael Peralta Díaz, primo de Alcides, também foi condenado a 5 anos de prisão por associação criminosa. Apurações indicaram seu auxílio à estrutura do atentado, evidenciando a desarticulação de parte da rede.
Disputa no Crime Organizado e Ligações com a Fronteira
A Justiça paraguaia comprovou que o atentado estava ligado a uma disputa no crime organizado. A execução de Marcos Rojas Mora, ‘Marcos Capital’, derivou de uma dívida de US$ 68 mil, referente a 18 quilos de cocaína repassados a Villasboa. A cobrança do ‘quadro de disciplina’ do PCC levou ‘Ropero’ a ordenar o assassinato.
Investigações revelaram estrutura criminosa em Pedro Juan Caballero, adjacente a Ponta Porã (MS). O MP paraguaio identificou Villasboa como traficante e envolvido na produção de maconha. Apurações vincularam outros suspeitos a uma organização de armazenamento e tráfico de drogas, armas e explosivos, com remessas ao Brasil.
Marcos Rojas, alvo do atentado, foi apontado pelo MP paraguaio como integrante da facção e responsável pela recepção de drogas. A investigação já havia resultado na condenação anterior de Villasboa em 2022 a 12 anos de prisão por tráfico, com Milciades Gómez (8 anos) e Elio Balvino Ovelar Espinoza (4 anos) também condenados.
Consequências Amplas e Desdobramentos da Rede Criminosa
O Ja’umina Fest expôs a presença de figuras ligadas ao narcotráfico internacional. Entre os feridos estava José Luis Bogado Quevedo, ‘Kurê’, traficante paraguaio de Pedro Juan Caballero procurado no Brasil. Bogado Quevedo foi extraditado, onde cumpria 17 anos de prisão por tráfico de drogas e armas, além de dezenas de processos. Sua presença sublinha a complexidade do cenário na fronteira.
Embora as condenações de Villasboa e Peralta marquem um avanço na justiça, a identidade do atirador ainda não foi estabelecida. Contudo, a sentença responsabiliza o mandante e um auxiliar, reforçando a capacidade das forças de segurança e judiciário em desarticular cadeias de comando do crime organizado. A ação das autoridades destaca a importância da continuidade investigativa e do combate eficaz ao crime transfronteiriço.
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