A investigação sobre a morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, Mato Grosso do Sul, ocorrida em 22 de julho, ganhou um desdobramento crucial com a deflagração da Operação Livia. As forças de segurança identificaram fortes indícios de conexão entre o falecimento e a incitação ao autoextermínio por grupos extremistas, com símbolos neonazistas e de supremacia branca localizados, evidenciando uma rede atuante.
Ação Conjunta Desarticula Rede Extremista em Operação Nacional
Nesta terça-feira, 04 de julho, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), em coordenação com o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP), cumpriu de forma simultânea seis mandados de busca e apreensão contra adolescentes e um mandado de prisão preventiva contra um indivíduo adulto.
A operação atingiu alvos em múltiplas localidades, com medidas judiciais executadas em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Ceará, e em dois pontos distintos de Minas Gerais. O mandado de prisão contra o adulto foi cumprido no Pará, evidenciando a abrangência da atuação policial na desarticulação da rede investigada.
Além da prisão do indivíduo de maioridade penal, a ação operacional resultou na expedição de cinco mandados de internação para adolescentes envolvidos no esquema, sublinhando o rigor da resposta estatal contra a incitação à violência e ao extremismo.
Investigação Revela Incitação e Arsenal Extremista
A investigação teve início após a adolescente ser encontrada sem vida em 22 de julho. A análise de conversas em grupos virtuais, que a vítima participava, levantou a suspeita de incitação ao autoextermínio por terceiros. Prints dessas interações, sob perícia, apontam mensagens ofensivas, humilhações e intensa pressão psicológica direcionadas à jovem. Em um dos diálogos, um interlocutor ignorava os apelos da adolescente e proferia incentivos explícitos à morte, além de pressioná-la a participar de chamadas de voz em outros aplicativos.
Apreensão de Símbolos Supremacistas e Armamentos
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes de segurança localizaram diversos equipamentos eletrônicos – como celulares e computadores –, que passarão por perícia técnica especializada. Além disso, foram apreendidos inúmeros itens com ligação direta a grupos extremistas na residência de um dos adolescentes alvos da operação.
Imagens divulgadas pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul mostram que, em uma das localidades, o adolescente suspeito ostentava uma indumentária com símbolos abertamente neonazistas e supremacistas. Entre as apreensões, destaca-se uma versão da conhecida Bandeira Confederada, historicamente associada aos estados separatistas do Sul dos Estados Unidos, defensores da escravidão no século XIX, e que hoje serve como um duradouro emblema global de segregação, racismo e discurso de ódio racial. O indivíduo também possuía uma camiseta de uma banda chamada “Burzum”.
Adicionalmente, na mesma residência, foi encontrada uma espécie de “arsenal”, incluindo uma arma de fogo e diversos armamentos brancos, como facas de maior comprimento, lâminas táticas (ex: Karambit), canivetes, uma faca Balisong (canivete borboleta) e dois modelos de Push-daggers. A indumentária apreendida incluía uma balaclava com lentes acopladas e um item branco e pontudo em formato cônico, que se assemelha aos trajes da Ku Klux Klan. O trabalho técnico das equipes foi essencial na coleta e preservação dessas provas materiais, que subsidiarão a investigação e a responsabilização dos envolvidos.
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— METADADOS DE SISTEMA —
CATEGORIA: Segurança Pública
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