Operação Cura Terapêutica: Polícia Civil prende empresário e gerente por cárcere privado e medicamentos ilegais em clínica interditada no MS

Em um importante desdobramento da Operação Cura Terapêutica, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, a atuação investigativa e operacional resultou na prisão de duas pessoas e na interdição de uma clínica de reabilitação. As ações, conduzidas no cumprimento de mandados judiciais, revelaram crimes graves que vão além das fraudes financeiras inicialmente apuradas, evidenciando cárcere privado e a guarda de medicamentos de uso controlado sem autorização legal, configurando sérios riscos à saúde pública e à liberdade individual.

Desdobramentos Fatais da Operação Cura Terapêutica

A Operação Cura Terapêutica, iniciada na terça-feira (18), tem como objetivo principal desarticular um esquema complexo de fraudes que desviou mais de R$ 1 milhão em serviços de internação para dependentes químicos. A investigação, liderada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), concentra-se em 13 pessoas e empresas suspeitas de integrar uma organização criminosa envolvida em crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro.

A Polícia Civil cumpre um total de 14 mandados de busca e apreensão nas cidades de Dourados, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados e Ponta Porã, demonstrando a amplitude das ações para neutralizar a atuação do grupo investigado. Durante a execução desses mandados, as equipes policiais identificaram as novas e graves irregularidades.

Interdição de Clínica e Crimes Contra a Liberdade Individual

Em Glória de Dourados, uma clínica de reabilitação, que era alvo de um dos mandados, foi imediatamente interditada. O local operava sem o necessário alvará sanitário e não contava com profissionais de saúde legalmente habilitados para exercer as atividades. Esta ausência de estrutura básica de saúde e segurança já indicava um grave cenário de infrações sanitárias e falha na prestação de serviços.

Cárcere Privado e Resgate de Vítima

A fiscalização, realizada de forma integrada pela Polícia Civil, Defensoria Pública, Vigilância Sanitária e Conselho Regional de Farmácia, localizou um estudante de 22 anos mantido contra sua vontade na unidade. O jovem relatou que, apesar de expressar o desejo de interromper o tratamento, a direção da clínica o isolava, impedia o contato com a família e o obrigava a tomar medicamentos fortes. A ação conjunta das autoridades resgatou o rapaz, que foi imediatamente encaminhado para um local seguro.

Medicamentos Ilegais e Implicações Legais

Além do cárcere privado, as equipes apreenderam um estoque de remédios de tarja preta, incluindo Clonazepam, Diazepam, Alprazolam e Midazolam, armazenados sem qualquer permissão sanitária ou médica. A guarda desses medicamentos de controle restrito sem autorização legal é classificada pela polícia como um crime grave, equiparado ao tráfico de drogas, sublinhando a seriedade das infrações flagradas no local.

Prisões de Responsáveis

Diante das evidências, foram presos o empresário Marcos Pereira de Matos, de 48 anos, proprietário do estabelecimento, e Fábio Garcia do Amaral, de 45 anos, gerente-geral da clínica e morador de um condomínio de luxo em Dourados. Os dois foram conduzidos à delegacia e autuados em flagrante pelos crimes de cárcere privado e por guardar remédios de controle restrito sem autorização, reforçando o compromisso das forças de segurança em coibir práticas ilegais que atentam contra a dignidade humana e a saúde pública.

Detalhamento do Esquema de Fraude nos Serviços de Internação

A investigação da Polícia Civil revelou que os envolvidos na Operação Cura Terapêutica operavam com empresas que simulavam concorrência, mas que, na realidade, eram controladas pelas mesmas pessoas. Esse método permitia ao grupo manipular cotações e garantir contratos ou ordens de pagamento em nome de suas próprias clínicas, mesmo sem possuir a estrutura mínima exigida por lei para o atendimento de dependentes químicos.

Os serviços de internação eram contratados por meio de compra direta pela prefeitura ou por ordens judiciais. A análise de 66 processos judiciais dos anos de 2023 e 2024 permitiu aos investigadores calcular que essa manipulação de cotações gerou uma vantagem ilegal superior a R$ 1 milhão para o grupo. Além disso, foram identificados repasses financeiros suspeitos e movimentações atípicas entre os envolvidos, indicando a intenção de ocultar a origem do dinheiro desviado.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul continua com as investigações, visando identificar todos os envolvidos e desmantelar completamente a organização criminosa, garantindo a responsabilização pelos crimes cometidos e a proteção da integridade dos recursos públicos e da população.

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