O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou um procedimento extrajudicial para investigar a morte da empresária baiana Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, ocorrida durante uma cirurgia estética na cidade de Ilhéus, no sul da Bahia. A iniciativa do órgão ministerial visa a completa elucidação dos fatos e a apuração de eventuais responsabilidades.
Conforme informações do MP-BA, a apuração inicial terá um prazo de 30 dias. O prazo pode ser prorrogado por igual período, caso o aprofundamento das investigações seja necessário para elucidar completamente as circunstâncias do óbito.
Cronologia dos Fatos e Ações Familiares
Adriele da Silva Pinto, que residia nos Estados Unidos, veio ao Brasil com o objetivo de realizar quatro procedimentos estéticos: mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e aplicação de jato de plasma. A empresária deu entrada no centro cirúrgico às 15h do dia 25 de agosto, com previsão de conclusão dos procedimentos por volta das 20h do mesmo dia.
Entretanto, a família de Adriele só foi notificada sobre o falecimento durante a madrugada do dia 26 de agosto, após intensas buscas por informações diante da demora. O hospital, por sua vez, teria informado aos familiares que a paciente passou mal durante a intervenção cirúrgica. Diante das inconsistências e suspeitas, a família imediatamente registrou um boletim de ocorrência para formalizar a denúncia e iniciar a apuração policial.
Paralelamente à ação policial, os familiares de Adriele apresentaram uma denúncia formal ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb-BA). O órgão informou que avaliará o caso para decidir sobre a instauração de uma investigação ético-profissional mais ampla. O advogado da família ainda destacou um ponto crucial: ao analisar o relatório médico, foi identificado que o atestado de óbito não teria sido assinado pelo médico responsável pela cirurgia, um fato que levanta questionamentos sobre as circunstâncias da morte.
Interdição de Centro Cirúrgico e Histórico do Médico Investigado
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) agiu prontamente, interditando cautelarmente o centro cirúrgico do Hospital Vida, em Ilhéus, local onde a empresária faleceu. A interdição, efetuada no dia 27 de agosto, foi motivada pela constatação de que o estabelecimento não possuía alvará sanitário para funcionamento, constituindo uma grave irregularidade operacional com impacto na segurança dos pacientes.
O médico responsável pelos procedimentos, identificado como Rossini Tebaldi Ruback, já havia sido alvo de denúncias anteriores. Familiares de Adriele informaram que outras pacientes já haviam relatado, em 2023, supostos erros e problemas em cirurgias conduzidas pelo profissional. Sobre estas denúncias pregressas, o Cremeb-BA comunicou que os resultados das apurações foram repassados às partes envolvidas, mantendo o sigilo previsto no Código de Processo Ético-Profissional. O Conselho também esclareceu que, até o momento, não existe processo ético-profissional em tramitação no Tribunal de Ética Médica que cite o médico em questão.
As circunstâncias que levaram à morte da empresária Adriele da Silva Pinto seguem sob rigorosa investigação pelos órgãos competentes. A atuação conjunta do Ministério Público, Secretaria de Saúde e Conselho de Medicina reforça o compromisso das autoridades em esclarecer os fatos e assegurar a segurança nos serviços de saúde à população.
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