Ministério Público da Bahia denuncia cúpula da Bamor por organização criminosa e tortura após Operação Inquisição

O Ministério Público da Bahia (MPBA), através da atuação estratégica do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), concretiza um importante avanço na segurança pública ao denunciar formalmente a cúpula da torcida organizada Bamor. Esta ação é fruto da minuciosa Operação Inquisição, que desvelou um complexo esquema criminoso. Os indivíduos, incluindo o presidente e diretores da entidade, enfrentam acusações de organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. A gravidade das denúncias é reforçada pela manutenção das prisões preventivas dos alvos, que permanecem detidos no Complexo Penitenciário da Mata Escura, assegurando a continuidade das investigações e a aplicação da justiça.

A diligência investigativa do Gaeco permitiu identificar um padrão de atuação onde a estrutura da torcida era supostamente instrumentalizada para fins ilícitos. A denúncia detalha que a cúpula utilizava o aparato da organização para aplicar o que foram chamadas de “punições privadas” a membros. Essas ações, que envolviam práticas de violência física e psicológica, tinham como objetivo forçar confissões sobre supostos “desvios internos”. O trabalho técnico das equipes foi crucial para mapear essa rede de coerção e trazer à tona as evidências necessárias para a responsabilização dos envolvidos, marcando um firme posicionamento contra a criminalidade organizada que se disfarça em outras atividades.

Ações de Violência e Implicações Judiciais

Os fatos que fundamentam a denúncia ocorreram em julho deste ano, na sede da própria torcida. Na ocasião, duas pessoas foram submetidas a sessões de intensa violência física e psicológica. O objetivo era forçá-las a confessar supostas irregularidades relacionadas à gestão de associados, evidenciando a natureza das “punições privadas” aplicadas pelos denunciados, o que caracteriza crimes como tortura e extorsão.

Diante da gravidade dos crimes apurados e do impacto gerado, o Ministério Público da Bahia não apenas requer a manutenção das prisões preventivas dos investigados, mas também exige o pagamento de indenizações individuais por danos materiais e morais às vítimas diretas. Além disso, o MPBA busca a reparação coletiva, fixando a quantia de R$ 2 milhões por danos morais coletivos. Essa medida sublinha o impacto social das ações criminosas e o compromisso do sistema de justiça em buscar reparação e proteção para a comunidade e para aqueles diretamente afetados pela atuação da organização criminosa.

Identificação dos Denunciados

Entre os indivíduos denunciados, cujos nomes e posições foram identificados pela investigação do Gaeco, estão: Matheus Pires Castro, apontado como presidente da torcida; Luciano da Silva Venâncio, vice-presidente; Gabriel Pereira Silva, diretor-geral; Daniel Sena Duarte, diretor de sede; Ricardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing; Diego Allan Conceição Sacramento, diretor de patrimônio; Ivã Cleiton de Jesus Santos, diretor de bateria; Luiz Wagner da Silva Santana, diretor de sede; Alan Rafael Regis Alves de Aquino, diretor financeiro; e o policial militar Fernando Santana Esquivel. A presença de um agente de segurança pública entre os denunciados ressalta a complexidade e a abrangência da organização criminosa combatida, exigindo uma atuação integrada e firme das forças do Estado.

A denúncia do Ministério Público representa um passo fundamental no combate a grupos que instrumentalizam entidades para a prática de crimes, reafirmando o compromisso das forças de segurança e do sistema de justiça com a proteção da sociedade e a manutenção da ordem. As investigações prosseguem para garantir que todos os envolvidos respondam integralmente perante a lei.

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