O Fórum Hermes Parahyba, em Crato, Ceará, foi palco de um julgamento que culminou na condenação do motorista Ivanildo Leandro da Silva, de 52 anos. Ele foi sentenciado a 16 anos de prisão pelo crime de feminicídio por meio cruel. A decisão resultou na imediata transferência do condenado para o presídio de Juazeiro do Norte, marcando o desfecho de um caso que envolveu uma complexa investigação e tentativa de fraude.
Os fatos remontam a 10 de junho de 2024, quando Ivanildo Leandro da Silva tirou a vida de Robéria Caitano de Moura, de 18 anos, residente no Sítio Trindade, Distrito de Santa Fé, em Crato. A vítima foi morta por asfixia mecânica em um motel da cidade. Para ocultar a natureza do crime, o motorista tentou forjar um acidente de trânsito, buscando atribuir a causa do óbito ao impacto da colisão. No entanto, essa versão foi rapidamente desmentida pela análise técnica dos peritos.
A Complexa Investigação Policial
As investigações foram cruciais para desvendar a verdade. O exame cadavérico e a perícia criminal foram enfáticos ao não caracterizar o óbito por acidente, apontando a asfixia como a verdadeira causa. Quatro meses após o ocorrido, Ivanildo foi detido por determinação judicial, mas obteve o direito de responder em liberdade. Em outubro do ano passado, o juiz da 1ª Vara Criminal do Crato, Josué de Sousa Lima Júnior, chegou a impronunciá-lo, decisão posteriormente revista.
A determinação em esclarecer os fatos levou Ivanildo ao Tribunal do Júri. Inicialmente, o delegado Daniel Leite o indiciou por fraude processual, dada a tentativa de manipulação da cena do crime. A investigação migrou para a expertise da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Crato, sob a coordenação da delegada Kamila Brito. A atuação técnica das equipes foi fundamental.
Provas e Desmascaramento da Fraude
No primeiro depoimento, Ivanildo insistiu na narrativa de que Robéria estava bem e que o óbito decorreu do acidente. Contudo, em reinquirição, ele alterou sua versão, alegando que a namorada sofrera um mal súbito durante ato sexual no motel e que ele estaria a socorrendo quando a colisão ocorreu. A apuração da polícia não se ateve apenas às declarações do acusado.
Funcionários do motel foram ouvidos e forneceram detalhes importantes, como a presença de sangue no quarto e a localização dos óculos e brincos de Robéria no local. As câmeras de segurança após o acidente também forneceram provas irrefutáveis. As imagens capturaram Ivanildo removendo a namorada da caminhonete e a colocando na calçada de um CRAS, já aparentando estar desfalecida. Este registro visual corroborou as suspeitas de que a vítima já viajava desacordada no veículo, invalidando a versão do motorista.
A condenação de Ivanildo Leandro da Silva a 16 anos de prisão por feminicídio por meio cruel representa um resultado direto da atuação integrada e técnica das forças de segurança e do sistema de justiça. A meticulosidade na coleta de provas, a perícia especializada e a condução processual asseguraram que a verdade fosse estabelecida, oferecendo uma resposta concreta à sociedade e à família da vítima, Robéria Caitano de Moura. Este veredito reforça o compromisso com a proteção das mulheres e o combate rigoroso à violência de gênero.
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