Casal que sequestrou recém-nascida é expulso do Paraguai e entregue à Polícia Federal em operação conjunta

Uma operação conjunta de segurança pública, envolvendo autoridades brasileiras e paraguaias, culminou na expulsão e entrega de um casal de brasileiros à Polícia Federal em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul. Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa, acusados de sequestrar a recém-nascida Ayla Emanuelly, de apenas 28 dias, foram repatriados após serem presos no Paraguai. A ação demonstra a eficiência da cooperação internacional no combate a crimes transnacionais e na proteção de vulneráveis.

A entrega dos indivíduos ocorreu no Posto de Controle Migratório de Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã, no fim da tarde deste domingo, dia 09 de agosto. Durante o procedimento de identificação e checagem de dados, agentes policiais constataram que Alex Melo de Abreu utilizava documentos falsos em nome de Weliton Aparecido Lopes dos Santos. Essa falsificação visava ocultar um mandado de prisão expedido pela Vara da Comarca de Apuí, no Amazonas, referente a uma condenação que transitou em julgado de 11 anos e 6 meses em regime fechado por homicídio. Suzilaine da Graça Costa também foi entregue às autoridades brasileiras. A expulsão foi formalizada por resolução, amparada pelo Acordo de Cooperação Policial Internacional.

Ação integrada garante resgate da bebê e suporte à família

Após ser resgatada, a pequena Ayla passou por exames médicos no Hospital Regional de Pedro Juan Caballero e, posteriormente, foi repatriada ao Brasil. A criança encontra-se agora sob acolhimento institucional em Ponta Porã, aguardando os trâmites conduzidos pelo Conselho Tutelar para seu reencontro com a família, assegurando sua segurança e bem-estar. O relatório inicial indicou que a recém-nascida não possuía registro civil, certidão de nascimento ou CPF no momento do resgate, evidenciando a vulnerabilidade da situação.

O desaparecimento da bebê havia sido registrado na última quinta-feira (7), em Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, a mãe da criança, uma adolescente de 17 anos, foi alvo de uma armadilha pela internet. Uma mulher se aproximou da jovem durante a gestação, prometendo um ensaio fotográfico e, posteriormente, um suposto cuidado com a criança em troca de R$ 100. A adolescente e sua irmã, de 13 anos, foram levadas à residência da mulher e, na madrugada, abandonadas sem a bebê próximo a uma área de mata, nas imediações da UPA do Bairro Universitário.

Investigação minuciosa e rastreamento localizam sequestradores no Paraguai

Desde o registro do desaparecimento, a Polícia Civil, por meio da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), atuou intensivamente nas buscas, contando com o apoio de forças policiais da fronteira. O Ministério da Justiça e Segurança Pública acionou o Alerta Amber, sistema que mobiliza a população na busca por crianças desaparecidas em situações de alto risco, reforçando o esforço para localizar Ayla.

A investigação avançou com a prisão de um homem no sábado (8), pela equipe da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), que prestava apoio à DEPCA. Este indivíduo é proprietário da casa que teria sido utilizada por um conhecido para ocultar a criança. Apesar de sua mãe e irmã terem comparecido à delegacia para afirmar seu desconhecimento sobre a finalidade do imóvel, a prisão foi um passo crucial na desarticulação do crime.

O ponto de virada para a localização da recém-nascida foi o rastreamento de sinais telefônicos, uma técnica de inteligência policial que direcionou as equipes ao local onde a bebê era mantida por Alex e Suzilaine. Ayla foi encontrada na residência em Pedro Juan Caballero por volta da 1h15 deste domingo. A operação de resgate foi conduzida pela procuradora Sandra Díaz em conjunto com o Comando Bipartite e agentes do Ministério Público, em cumprimento a um mandado expedido pelo juiz criminal Álvaro Justo Rojas Almirón. Além da prisão do casal, as autoridades apreenderam aparelhos celulares, documentos e um veículo Lifan de cor azul, que agora integram as provas do inquérito.

A rápida e coordenada resposta das forças de segurança, tanto no Brasil quanto no Paraguai, resultou na recuperação da recém-nascida e na responsabilização dos envolvidos. A ação sublinha o compromisso das instituições com a proteção da vida e a segurança da população, reafirmando a importância da integração operacional e da capacidade investigativa para resolver crimes complexos.

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