A Polícia Civil de Campo Grande prendeu em flagrante, nesta quarta-feira, um homem de 78 anos, suspeito dos crimes de ameaça, injúria e cárcere privado no contexto de violência doméstica. A operação, desencadeada a partir de denúncia à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), interceptou um padrão de agressões que se estendia por grande parte do casamento. A ação busca assegurar a proteção e a integridade da vítima, uma mulher de 76 anos.
O caso veio à tona após a exigência do investigado para que sua esposa aceitasse a presença de uma amante de 23 anos na residência familiar. Casados há 56 anos e pais de oito filhos, o relacionamento, marcado por conflitos há décadas, escalou com a recusa da vítima em acatar a imposição, resultando em uma sequência de ameaças, humilhações e ofensas, conforme relato à Deam. A mulher afirmou ser constantemente chamada de “vagabunda” e “sem vergonha”, além de ter sido privada de sono por intimidações verbais.
Histórico de Agressões e Controle Extremo
As investigações da Deam revelaram que a violência não era recente. A idosa informou ter sofrido agressões físicas por anos, incluindo socos, tapas, puxões de cabelo e espancamentos com mangueira, sendo obrigada a ocultar as marcas. Mesmo com a diminuição das agressões físicas, as ameaças, o controle rigoroso sobre sua rotina e as humilhações persistiram. Ela descreveu viver sem autonomia, impedida de visitar os filhos, sair de casa ou tomar decisões sem autorização. Em depoimento, expressou o desejo de que o investigado “deixe a minha vida em paz”.
Um dos mais impactantes episódios recentes foi a proibição imposta pelo marido para que a esposa comparecesse ao velório e sepultamento de um dos oito filhos do casal, falecido há poucos dias. A vítima e uma das filhas confirmaram que a mãe permaneceu em casa por medo, impedida de se despedir do filho.
Intervenção Operacional e Medidas Protetivas
A prisão em flagrante ocorreu após a filha do casal encontrar a mãe em grande aflição na manhã da última quarta-feira. A vítima clamou por socorro, e diante da ameaça do pai — “Leva ela daqui, senão vai ser o fim dela” —, a filha acionou imediatamente a polícia, que efetuou a prisão do suspeito.
Em interrogatório, o homem negou as acusações de agressão e cárcere privado, alegando que a esposa não foi ao velório do filho porque “não quis”. Admitiu o relacionamento extraconjugal, justificando a ausência de relações sexuais com a esposa há cerca de cinco anos e confirmando a intenção de separação. Ele também negou ter obrigado a companheira a aceitar a presença da outra mulher na residência e classificou as acusações de ameaças e injúrias como invenções. A vítima, por sua vez, solicitou medidas protetivas, reiterando à Polícia Civil seu desejo de viver em paz.










