Em uma ação estratégica que une o combate ao narcotráfico e a preservação ambiental, a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai promoveu uma nova fase da Operação Restaurar. A iniciativa, que teve início em 02 de setembro, visa o reflorestamento de áreas de preservação ambiental devastadas por grupos criminosos para o cultivo de maconha na linha internacional com o Mato Grosso do Sul, Brasil.
A operação de recuperação ambiental ocorre nas mesmas regiões onde a Senad, com o apoio da Polícia Federal brasileira, conduziu a 57ª edição da Operação Nova Aliança. Essa integração operacional entre as forças de segurança paraguaias e brasileiras demonstra um compromisso firme em desarticular a infraestrutura do narcotráfico e, simultaneamente, mitigar os danos ecológicos causados pelas atividades ilícitas.
Resultados Operacionais da Desarticulação de Cultivos Ilegais
Durante um período de doze dias, a Operação Nova Aliança eliminou um total de 222 hectares de cultivos de maconha. Além disso, a ação conjunta destruiu 44 acampamentos que eram utilizados por traficantes em reservas naturais nos departamentos de Caaguazú e Canindeyú, áreas fronteiriças com municípios sul-mato-grossenses. Essa atuação direta impacta a cadeia produtiva do tráfico, reduzindo a oferta da droga e desestruturando a logística dos grupos criminosos.
Segundo informações da Senad, os grupos criminosos que se dedicam ao cultivo de maconha buscam áreas de difícil acesso em vastas reservas ambientais para instalar suas plantações, derrubando árvores nativas para dar lugar ao cultivo ilegal. A Operação Restaurar entra como uma resposta direta a essa prática, buscando recuperar as áreas degradadas e preservar o patrimônio natural do Paraguai, que é essencial para a biodiversidade da região.
Impacto e Monitoramento da Redução de Cultivos Ilegais
Um relatório recente da Fundação Moisés Bertoni, responsável pela administração da Reserva Natural da Mata de Mbaracayú, um importante ecossistema localizado a 20 quilômetros de Paranhos (MS) e criado em 1991, revela dados encorajadores. As novas áreas identificadas para cultivos ilícitos caíram de 662 hectares em 2023 para 450 hectares em 2025. Essa tendência de queda indica a efetividade das ações de fiscalização e erradicação.
O monitoramento contínuo demonstrou que, no primeiro semestre de 2026, foram identificados apenas 107 hectares de novas áreas de cultivo, o que representa uma redução expressiva de 74% em relação ao mesmo período de 2024. A Fundação Bertoni atribui essa significativa diminuição ao monitoramento permanente e à maior presença institucional no território, fatores que inibem a expansão das estruturas criminosas sobre áreas de alto valor ambiental.
Apesar dos avanços, a ameaça persiste, e a manutenção das ações de vigilância, erradicação e recuperação é fundamental. A integração entre as forças de segurança do Paraguai e do Brasil, com apoio de forças especiais, não apenas neutraliza o avanço do narcotráfico, mas também reforça o compromisso com a proteção ambiental e a segurança da sociedade na região de fronteira.
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