Polícia Nacional investiga crime encomendado na fronteira após execução de agricultor

A Polícia Nacional do Paraguai intensifica as investigações para elucidar a execução do agricultor Vicente Menesses, de 50 anos, ocorrida em Cerro Corá, município paraguaio fronteiriço a Ponta Porã (MS). A nova linha de apuração, divulgada nesta segunda-feira (27 de julho), três dias após o assassinato, foca na hipótese de um crime encomendado. Este enfoque operacional reflete o empenho das autoridades em desvendar a motivação e os autores deste ato violento que impacta a segurança da região.

Ação Operacional e Primeiras Descobertas

O trágico evento vitimou Menesses no fim da tarde da última sexta-feira (24), enquanto visitava familiares no bairro Ciudad Aeropuerto, em Cerro Corá. Conforme os levantamentos iniciais, um indivíduo chegou em uma motocicleta, aproximou-se da vítima e, após breve troca de palavras, efetuou múltiplos disparos de arma de fogo. Imediatamente após a execução, o atirador evadiu-se do local, em frente à residência da nora da vítima.

A equipe de perícia técnica da Polícia Nacional foi acionada e realizou um trabalho minucioso de coleta de evidências. Foram recolhidas um total de 18 cápsulas de munição deflagradas, material crucial para análises balísticas. O exame do corpo da vítima, conduzido pelo médico legista, revelou aproximadamente 13 perfurações por arma de fogo, concentradas em rosto, pescoço e tórax, denotando a natureza letal e intencional da ação.

Durante as diligências iniciais, investigadores localizaram junto à vítima valores significativos em dinheiro: mais de 5 milhões de guaranis e cerca de R$ 1 mil em espécie, além de seus documentos pessoais. A constatação de que nenhum desses bens foi subtraído foi determinante para que a Polícia Nacional do Paraguai descartasse a hipótese de latrocínio. Esta conclusão técnica direciona o foco da investigação para motivações distintas.

Linhas de Investigação e Próximos Passos

O comissário Sergio Sosa, 2º comandante da Polícia Nacional em Amambay, declarou que a equipe de investigação analisa ativamente diversas hipóteses para compreender a motivação. No entanto, pelas características observadas, a possibilidade de um “crime encomendado” emergiu como a principal linha de apuração. O comissário José Delgado, chefe de investigações em Amambay, corrobora essa perspectiva, afirmando que a metodologia da execução sugere planejamento prévio e ação direcionada.

Um elemento importante é o depoimento de uma testemunha, que relatou ter observado uma interação entre Vicente Menesses e o atirador. Segundo a testemunha, os dois pareciam se conhecer e trocaram algumas palavras momentos antes de o autor sacar a arma. Embora o conteúdo exato dessa conversa não tenha sido identificado, essa informação é vital para traçar o perfil do agressor. A Polícia Nacional está reunindo todas as informações e realizando verificações para confirmar ou descartar a hipótese de crime encomendado.

As equipes da Polícia Nacional do Paraguai seguem mobilizadas para identificar e localizar o autor dos disparos, que até o presente momento não foi capturado. O compromisso é com a elucidação completa deste homicídio, utilizando métodos técnicos e investigativos para garantir a justiça e reforçar a segurança pública na região de fronteira.

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