A Justiça Federal proferiu condenação contra seis indivíduos apontados como integrantes de uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína, que utilizava o Porto de Salvador como ponto estratégico para o envio da droga à Europa. As penas aplicadas chegam a até 20 anos de prisão em regime fechado. O grupo foi desarticulado por meio da Operação Descontaminação, conduzida pela Polícia Federal (PF), com a sentença divulgada nesta quarta-feira (24/06) pelo Ministério Público Federal (MPF), evidenciando a eficácia da resposta institucional contra o crime organizado.
Engenharia Criminosa: Infiltração e Corrupção Sistêmica
De acordo com a denúncia formalizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a quadrilha empregava uma sofisticada engrenagem de tráfico, que incluía a infiltração de entorpecentes em contêineres de exportadores lícitos operando no terminal portuário da capital baiana. Este método, conhecido mundialmente como “rip-on/rip-off”, consistia na inserção clandestina da droga nas cargas sem o conhecimento ou consentimento dos proprietários legítimos das mercadorias. A atuação do grupo visava portos estratégicos em países como Holanda, Bélgica e Espanha, conforme informações detalhadas pelo MPF.
Para burlar as fiscalizações e garantir o sucesso das remessas ilícitas, os investigados montaram uma estrutura que se beneficiava de informações privilegiadas e da cooptação de funcionários dentro do próprio terminal. Esses indivíduos manipulavam sistemas internos para rastrear e identificar contêineres que fossem estrategicamente posicionados em “pontos cegos” do sistema de monitoramento portuário, facilitando a ação criminosa sem detecção imediata.
Táticas de Invasão e Falsificação para Despistar Fiscalização
A engenharia do crime envolvia táticas audaciosas de invasão e falsificação. Integrantes do grupo acessavam o pátio restrito utilizando veículos clonados, que eram adesivados com logomarcas de prestadores de serviço para simular legitimidade. Além disso, subornavam vigilantes para evitar inspeções, garantindo acesso desimpedido. O esquema chegou a envolver técnicos de refrigeração que sabotavam os motores das estruturas refrigeradas, simulando chamados urgentes de manutenção e, assim, justificando a permanência e a movimentação de pessoal no local para depositar as sacolas de cocaína.
Após o depósito da droga, os criminosos quebravam os lacres originais dos contêineres e os substituíam por réplicas gravadas a laser, que replicavam a numeração verdadeira dos lacres violados. Este procedimento meticuloso visava ocultar o crime até o desembarque final da carga na Europa, evidenciando o planejamento e a expertise técnica empregados pela organização criminosa.
Condenações Reforçam o Combate ao Crime Organizado
As penalidades aplicadas pela 2ª Vara da Justiça Federal variaram de 12 anos e 3 meses até 20 anos, 8 meses e 7 dias de reclusão, conforme o nível de liderança e a gravidade das condutas individuais de cada um dos condenados, além do pagamento de multas pecuniárias substanciais. Os réus foram responsabilizados pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público. A condenação dos envolvidos reforça o trabalho técnico e a integração das forças de segurança e do sistema de justiça, impactando diretamente a estrutura do tráfico internacional e protegendo a integridade das operações portuárias nacionais. O resultado judicial é um golpe significativo contra as atividades do crime organizado que exploram a infraestrutura brasileira para fins ilícitos.
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