A Polícia Civil do Mato Grosso do Sul investiga a morte do detento Everton Rodrigues Lopes, conhecido como “Binha” ou “Salvador”, dentro da Penitenciária de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande. O caso, registrado na 3ª Delegacia de Polícia Civil, é tratado como homicídio qualificado após a perícia inicial apontar indícios de que a cena teria sido montada para simular um suicídio.
Everton Rodrigues Lopes cumpria pena superior a 44 anos de prisão por crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ele foi um dos principais condenados da Operação Fóssil, ação estratégica da Polícia Civil que desarticulou uma organização criminosa de grande porte.
Descoberta e Análise Pericial Preliminar
A descoberta do corpo ocorreu na tarde desta quarta-feira, 24 de junho. Segundo o boletim de ocorrência, policiais penais abriram as celas por volta das 13 horas para o banho de sol dos internos. Cerca de duas horas depois, durante o processo de recolhimento dos presos, Everton foi encontrado pendurado por uma corda presa ao gradil da área de convivência, na Galeria A, Pavilhão 2 da unidade prisional.
No entanto, a análise inicial da cena realizada pelo perito criminal responsável constatou que as lesões observadas na região do pescoço eram incompatíveis, em um primeiro exame, com a dinâmica esperada em casos de suicídio por enforcamento. Essa avaliação técnica levantou a forte suspeita de que o corpo tenha sido pendurado após a morte, numa tentativa de ocultar um crime de homicídio.
Ação Investigativa da Polícia Civil
Diante dos indícios técnicos e das inconsistências periciais, a 3ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande registrou o caso como homicídio qualificado por traição, emboscada ou outro recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. O corpo de Everton foi imediatamente encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), onde exames complementares serão realizados para determinar a causa exata da morte e fornecer mais subsídios à investigação.
Um fator relevante para a investigação é a ausência de sistema de videomonitoramento na área exata onde o corpo foi encontrado, conforme registrado no boletim de ocorrência. A Polícia Civil prossegue com as diligências para identificar os autores e as circunstâncias que levaram à morte do detento, visando à elucidação completa dos fatos.
Histórico Operacional: Condenação na Operação Fóssil
Everton Rodrigues Lopes foi condenado em março de 2024 a 44 anos, cinco meses e 12 dias de reclusão, além do pagamento de 4.442 dias-multa. Ele era uma figura central na Operação Fóssil, deflagrada pela Seção de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia de Polícia Civil de Nova Andradina. Essa operação desarticulou uma organização criminosa que abastecia o tráfico de drogas na região.
As investigações da Operação Fóssil apontavam Everton como o responsável por abastecer traficantes na área de Nova Andradina. Durante as diligências e ações operacionais da Polícia Civil, foram localizados e apreendidos cerca de 20 quilos de maconha que ele mantinha enterrados no quintal de um imóvel. As condenações resultantes dessa operação somaram mais de 124 anos de prisão, demonstrando a eficácia da atuação policial contra o crime organizado.
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CATEGORIA: Polícia Civil
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