A Polícia Civil de Campo Grande iniciou procedimentos investigativos após o registro de uma fraude eletrônica que resultou em um prejuízo de aproximadamente R$ 15 mil para um homem de 55 anos. A vítima, que buscava uma oportunidade de emprego na área de entregas, foi alvo de um esquema sofisticado que explorou a busca por trabalho para aplicar sucessivas cobranças indevidas, configurando um crime de estelionato digital.
O caso foi formalmente registrado na 7ª Delegacia de Polícia Civil, onde a vítima entregou uma série de documentos e comprovantes que auxiliarão na elucidação dos fatos. A ação da Polícia Civil neste registro é fundamental para a posterior identificação e responsabilização dos envolvidos, destacando o trabalho técnico das forças de segurança no combate a crimes virtuais que afetam diretamente a população.
A Engenharia do Golpe: Esquema Elaborado e Cobranças Sucessivas
Conforme o relato à Polícia Civil, o homem encontrou a suposta oferta de emprego para agregar veículo em serviços de entrega por meio das redes sociais. O perfil online, que simulava uma empresa legítima, serviu como porta de entrada para a ação dos golpistas. O primeiro contato foi estabelecido por meio de um aplicativo de mensagens, onde um indivíduo se identificava como Fabio Fernandes, suposto representante da companhia.
Durante quase um mês, a vítima passou por um processo de “credenciamento” simulado, fornecendo dados pessoais e informações do seu veículo, incluindo RG, CPF, CNH, comprovante de residência e dados bancários. Na sequência, foi informada da necessidade de adquirir um aparelho para leitura de produtos, especialmente medicamentos. Sem condições de comprá-lo, aceitou alugar o equipamento e efetuou o primeiro pagamento, mas o dispositivo nunca foi entregue.
Poucos dias depois, o suposto representante retornou o contato, informando que a vítima fora selecionada para transportar medicamentos de alto valor, como os usados em tratamento de câncer e o Mounjaro. Para tal, os suspeitos exigiram a contratação de seguro para o veículo e de seguro de vida, alegando que a falsa empresa arcaria com metade dos custos, e a vítima com a outra parte.
Novas Exigências e o Acúmulo do Prejuízo Financeiro
A espiral de cobranças continuou com uma nova exigência. Três dias após os seguros, foi alegado que o Banco Central do Brasil havia identificado os valores transacionados e que uma suposta “autenticação” dos recursos era indispensável. A partir daí, novos depósitos foram solicitados com a justificativa de que o dinheiro precisaria ser reenviado para que o “Banco Central” pudesse identificar a origem e a finalidade dos fundos. Importante ressaltar que a vítima não recebeu nenhuma comunicação oficial, documento ou protocolo da instituição financeira sobre essa suposta demanda.
Com cada pagamento efetuado, uma nova explicação era apresentada para solicitar mais dinheiro. Os golpistas passaram a mencionar impostos e outras taxas, sempre com a promessa de que os valores seriam liberados ou devolvidos posteriormente. O homem realizou pagamentos por aproximadamente um mês, acumulando a perda estimada em R$ 15 mil. Até o registro da ocorrência, nenhum valor havia sido restituído, o equipamento prometido não foi entregue e a prestação de serviços de transporte nunca teve início.
Os interlocutores da fraude, persistentes, mantiveram as cobranças, alegando inclusive um aumento no valor necessário para a “pré-autenticação”. Este modus operandi demonstra a organização e a persistência dos criminosos em explorar a necessidade alheia.
Investigação da Polícia Civil em Andamento
A vítima formalizou sua representação criminal contra os responsáveis e entregou à 7ª Delegacia de Polícia Civil cópias do contrato apresentado pela suposta empresa, bem como todos os comprovantes dos pagamentos realizados. Este material é crucial para a investigação, permitindo que a equipe policial possa rastrear as transações e identificar os autores da fraude eletrônica. A precisão na coleta de evidências é um pilar do trabalho técnico das forças de segurança para desarticular esquemas criminosos e proteger a sociedade.
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