Polícia Civil apreende adolescente por tentativa de homicídio após vítima desmentir versão inicial em Campo Grande

As forças de segurança de Campo Grande atuam em um caso de tentativa de homicídio que resultou na apreensão de um adolescente de 12 anos. A ação é desdobramento de uma ocorrência onde um menino de 11 anos sofreu queimaduras de terceiro grau, na Vila Popular, e precisou ser intubado, permanecendo internado em estado grave. A investigação, conduzida com precisão pelas equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil, revelou uma versão dos fatos que culminou na apreensão do menor envolvido.

A ocorrência teve início na tarde de terça-feira, 04 de agosto, quando a Polícia Militar foi acionada pelo Centro de Operações da PM (Copom). O alerta indicava a entrada de uma criança com queimaduras severas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Santa Mônica. No local, os policiais iniciaram o protocolo de averiguação, conversando com testemunhas e profissionais da assistência social. A vítima, levada por uma vizinha, estava em condição crítica, o que impossibilitou um depoimento inicial detalhado.

Diante das informações divergentes sobre a origem das lesões, os militares se deslocaram até a residência onde o incidente ocorreu, na Vila Popular. No endereço, a equipe localizou o adolescente envolvido, que estava sozinho. Em um primeiro momento, o menor apresentou uma versão dos fatos, alegando que ele e o amigo haviam decidido atear fogo em uma pedra no quintal, utilizando um galão contendo cinco litros de álcool. Conforme seu relato, a aproximação de um isqueiro causou uma combustão súbita que atingiu a vítima.

O adolescente também afirmou ter prestado socorro ao amigo, utilizando água do chuveiro e recipientes da cozinha para apagar as chamas. Em seguida, trocou as roupas da vítima e buscou auxílio de vizinhos e até de coletores de lixo que passavam pela região, evidenciando uma aparente tentativa de conter as consequências e buscar ajuda.

A reviravolta na investigação

A narrativa inicial do adolescente, no entanto, foi confrontada pela investigação. A delegada Daniela Kades, da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), revelou que o cenário operacional mudou drasticamente após o depoimento da vítima. Antes de ser intubado, o menino ferido conseguiu relatar que o colega teria ateado fogo nele propositalmente, após uma discussão entre os dois.

Foi a partir desse depoimento crucial que a investigação tomou um novo rumo. A delegada Kades confirmou que o relato da vítima motivou a apreensão em flagrante do adolescente, configurando um ato infracional análogo ao crime de tentativa de homicídio. “A vítima contou, antes de ser entubada, que o outro menino colocou fogo nela de propósito depois que eles discutiram. Então, pelo que aparenta, não foi uma brincadeira”, enfatizou Daniela Kades, reforçando a seriedade da apuração.

Atuação especializada e compromisso com a elucidação

Após o atendimento inicial da ocorrência, a Polícia Militar executou o registro fotográfico do local e dos objetos envolvidos, elementos fundamentais para a perícia. O caso foi encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/Cepol) para as providências iniciais de registro. Com o avanço das investigações e a coleta do depoimento da vítima, a condução do caso foi transferida para a Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), que prossegue com a apuração das circunstâncias e busca esclarecer a motivação da agressão.

A Polícia Militar reforça o alerta à população para a necessidade de manter líquidos inflamáveis fora do alcance de crianças e adolescentes. A medida preventiva visa evitar acidentes graves e proteger a integridade física dos menores, um compromisso constante das forças de segurança.

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