A morte de Wandete Góis da Silva, de 58 anos, ocorrida em 02 de agosto na rodovia BR-463, no distrito de Sanga Puitã, em Ponta Porã, na região de fronteira com o Paraguai, passou a ser investigada como feminicídio pela Polícia Civil. A alteração na tipificação do caso, impulsionada pelo rigor investigativo da corporação, demonstra o compromisso com a elucidação de crimes graves e a busca por justiça para as vítimas de violência de gênero, fortalecendo a segurança pública local.
O incidente que culminou no falecimento de Wandete envolveu o atropelamento da vítima pelo próprio marido. No dia seguinte ao ocorrido, o indivíduo apresentou-se voluntariamente na delegacia, onde foi prontamente preso. Em seu depoimento preliminar, ele alegou que Wandete teria se jogado contra o veículo e que não percebeu o impacto, o que o levou a se evadir do local sem prestar socorro.
Avanço Investigativo e Nova Tipificação
Inicialmente, a ocorrência foi registrada como homicídio culposo na direção de veículo automotor, com a constatação de que o condutor estaria sob a influência de álcool ou de outra substância psicoativa. Entretanto, o trabalho técnico especializado e o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil foram cruciais para a reavaliação integral dos fatos. A análise aprofundada de elementos probatórios e de todas as circunstâncias do caso permitiu aos investigadores determinar a alteração da tipificação para feminicídio, uma decisão que demonstra a eficiência operacional da Polícia Civil em qualificar corretamente a infração penal e assegurar que a investigação prossiga com a profundidade necessária para um crime de tamanha gravidade e repercussão social.
Em comunicado ao site Midiamax, a Polícia Civil esclareceu que o inquérito referente à morte de Wandete Góis da Silva ainda está em andamento. A corporação reiterou que mais informações não podem ser repassadas neste momento para não prejudicar o curso das investigações. Esta postura de reserva visa preservar a integridade do processo investigativo, garantindo a coleta de todas as provas robustas e necessárias para a completa elucidação dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.
Cenário da Violência de Gênero em Mato Grosso do Sul
Com a alteração da tipificação deste caso, Mato Grosso do Sul atinge a marca de 28 feminicídios registrados no ano de 2026. Este número alarmante reforça a persistência da violência de gênero no estado e sublinha a mobilização contínua e incansável das forças de segurança para combater esses crimes e proteger as mulheres. O mês de agosto, em particular, emergiu como o período mais letal para as mulheres em Mato Grosso do Sul, com a contabilização de oito feminicídios apenas neste mês, exigindo atenção redobrada das autoridades.
O cenário de violência foi agravado por outros casos recentes que chocaram o estado. O último feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul, antes da reclassificação da morte de Wandete, ocorreu em Campo Grande, na tarde de uma quarta-feira (16). A vítima, Vera Lucia Rossate da Cunha, foi assassinada dentro de seu estabelecimento comercial de aviamentos e cosméticos, localizado no bairro Zé Pereira. O autor do crime foi seu irmão, Judicrei Rossate da Cunha, que tirou a própria vida após cometer o delito. Tais ocorrências reforçam a urgência da atuação policial e investigativa para neutralizar ameaças e levar os responsáveis à justiça, garantindo a responsabilização e a segurança da população.
O empenho das equipes da Polícia Civil em Ponta Porã e em todo o estado reforça o compromisso inabalável com a proteção da sociedade e o combate rigoroso à violência contra a mulher. Cada investigação, como a que envolve a morte de Wandete Góis da Silva, é conduzida com a máxima seriedade e a profundidade que exige, visando sempre a aplicação eficaz da lei e a garantia da segurança pública para todos os cidadãos.
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