Operações Federais Atuam Contra Fraude Bilionária em Combustíveis e Desarticulam Esquema com Dívida de Quase R$ 5 Bilhões em Mato Grosso do Sul

As distribuidoras de combustíveis continuam a liderar a lista de devedores de tributos federais em Mato Grosso do Sul, acumulando dívidas que rompem a marca dos bilhões de reais. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) identifica que a maior parte desse passivo bilionário está concentrada em empresas localizadas na pequena cidade de Iguatemi, a 360 quilômetros da Capital, Campo Grande. As investigações e operações policiais revelam um complexo esquema de fraude fiscal e sonegação que impacta diretamente a segurança pública e a economia nacional.

Investigação Abrangente Mira Fraude Estruturada

O montante total devido pelas empresas Alpes Comércio de Combustíveis e Vetor Comércio de Combustíveis se aproxima de R$ 5 bilhões. Dados atualizados da PGFN indicam uma dívida de R$ 4,9 bilhões. A Alpes Comércio de Combustíveis Ltda. é a principal devedora do Fisco federal no estado, com um débito de R$ 2,93 bilhões. Esta empresa é alvo de duas grandes operações da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público do Estado de São Paulo: a **Operação Carbono Oculto** e sua segunda fase, a **Fluxo Oculto**.

A investigação aponta que a Alpes atuava como uma empresa de fachada dentro de um sofisticado esquema de fraude fiscal. Há suspeitas de que a companhia, que integra uma estrutura criminosa com possível envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC), sequer distribuía combustível a partir de Mato Grosso do Sul, servindo primariamente como emissora de notas fiscais para o esquema. Este modus operandi permitia a obtenção de créditos indevidos de ICMS e a sonegação de impostos.

Máfia dos Combustíveis: Líderes Foragidos e Estrutura de Laranjas

A organização criminosa investigada é liderada por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo ou João, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, ambos foragidos da Justiça. Eles são apontados como o epicentro de um esquema bilionário que abrange toda a cadeia produtiva de combustíveis, desde usinas sucroalcooleiras até redes de postos. A estrutura, altamente profissionalizada, utiliza fundos de investimento e centenas de empresas de fachada, como a formuladora Copape e a distribuidora Aster, para ocultar a origem ilícita dos recursos e executar as fraudes tributárias.

A Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda., localizada em Iguatemi, desempenhava um papel fundamental nesse ecossistema, sendo um dos principais canais para a distribuição de etanol produzido por usinas controladas pelo grupo, como a Itajobi e a Carolo. A empresa é identificada como peça-chave em uma engrenagem de fraude fiscal estruturada, utilizada para inflacionar artificialmente preços de insumos e sonegar impostos. Em uma ação direta para neutralizar a fraude, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) chegou a interditar a base fantasma da Alpes e de outras cinco empresas ‘laranjas’ em Iguatemi.

O controle da Alpes pela organização criminosa é exercido por meio de um sistema de ‘laranjas’, com proprietários formais cujos perfis financeiros são absolutamente incompatíveis com o faturamento bilionário da distribuidora. A investigação reforça o vínculo desses indivíduos com os líderes Mohamad e Beto Louco através de evidências logísticas, como o compartilhamento de sedes físicas com outras empresas do núcleo familiar de Mohamad, a exemplo de uma filial da Alpes que divide espaço com a Safra Distribuidora, presidida por Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad. Essa complexa estrutura garante a blindagem patrimonial, permitindo que os verdadeiros líderes operem e lavem capitais sem aparecer formalmente nos registros societários.

Dívida Crescente da Vetor Comércio de Combustíveis

A Vetor Comércio de Combustíveis figura como a segunda maior devedora, com um débito de R$ 2,04 bilhões ao Fisco federal, apesar de não ser alvo direto da **Operação Carbono Oculto**. A empresa, cujo sócio-administrador é Servio Tulio Fagotti Zaqueti, enfrenta múltiplos processos de execução fiscal na Justiça Federal em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. A PGFN tem acionado a Justiça para cobrar a dívida, mas sem sucesso na intimação da empresa em Iguatemi. A dívida da Vetor demonstra um crescimento significativo, uma vez que, no ano anterior, o valor devido era de R$ 1,6 bilhão, evidenciando a persistência e a escala do problema.

O trabalho técnico e operacional integrado da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público e PGFN é fundamental para desarticular esses esquemas, recuperar os valores sonegados e mitigar os impactos financeiros e sociais gerados por essas organizações. A atuação firme dessas instituições reforça o compromisso do Estado na proteção da ordem econômica e no combate à criminalidade organizada que lesa o patrimônio público.

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