O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), em uma ação integrada com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), a Secretaria de Segurança Pública (SSP) e a Polícia Civil da Bahia, deflagrou a Operação Sintonia de Gravata. A iniciativa, realizada na manhã da última sexta-feira (03/07), visa enfrentar facções criminosas com atuação no sistema prisional baiano.
A operação cumpriu um total de 22 mandados de prisão preventiva em seis municípios baianos, além de 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis. As diligências foram realizadas nas cidades de Serrinha, Salvador, Camaçari, Barreiras, Feira de Santana e Lauro de Freitas, com o objetivo de neutralizar a atuação de grupos criminosos.
Resultados Operacionais e Impacto Financeiro
Durante o cumprimento das medidas judiciais, as equipes apreenderam notebooks, celulares e diversos documentos. Estes materiais são cruciais para o aprofundamento das investigações e para a identificação de eventuais outros envolvidos na complexa estrutura criminosa. A ação demonstra a capacidade das forças de segurança em interceptar ferramentas de comunicação e gestão utilizadas pelas facções.
No âmbito das medidas cautelares deferidas judicialmente, a operação também determinou a indisponibilidade de ativos financeiros dos investigados, atingindo o limite mínimo de R$ 10 milhões. Adicionalmente, foi executado o bloqueio de veículos, bens imóveis, embarcações e aeronaves pertencentes aos investigados. Essas ações de sequestro patrimonial visam impedir a movimentação de recursos financeiros vinculados às atividades ilícitas das facções, descapitalizando e enfraquecendo suas operações.
Desarticulação de Esquema Sofisticado de Comunicação Clandestina
A investigação identificou a atuação de facções criminosas estruturadas com alcance regional, responsáveis por tráfico ilícito de entorpecentes, circulação de armas de fogo e articulação entre diferentes grupos. Elementos reunidos indicam que essas organizações mantinham um sofisticado esquema de comunicação clandestina, permitindo a continuidade das atividades criminosas mesmo com suas lideranças custodiadas em unidades prisionais de segurança máxima.
Esse núcleo externo, responsável por intermediar a transmissão de ordens entre integrantes presos e membros em liberdade, foi o alvo central. A apuração revelou que advogados, mediante abuso das prerrogativas da classe, teriam burlado o isolamento e a incomunicabilidade impostos no presídio. O objetivo era viabilizar a gestão de facções criminosas por suas lideranças presas, que também foram alvos das medidas judiciais.
A maioria dos advogados investigados é oriunda de Serrinha, Salvador e Feira de Santana. A continuidade das apurações indicou que esses profissionais exerciam um papel estratégico na transmissão de mensagens, na consolidação de decisões e no acompanhamento das atividades criminosas. Esse fluxo de comunicação permitia às lideranças das facções, mesmo encarceradas, participar ativamente da gestão do tráfico de drogas, comercialização de entorpecentes, aquisição e circulação de armas de fogo, movimentação de recursos financeiros e resolução de conflitos internos.
A Operação Sintonia de Gravata, que desarticulou essa rede de comunicação, demonstra a eficácia do trabalho investigativo em neutralizar estratégias que contornavam mecanismos de isolamento do sistema prisional. A atuação do grupo conseguia manter ativa uma rede de transmissão de ordens que contribuía diretamente para a continuidade das práticas criminosas e para o fortalecimento dessas organizações, com reflexos diretos na segurança pública baiana.
Mobilização Nacional e Força Integrada
Mais de 100 profissionais participaram da operação, incluindo promotores de Justiça, servidores e policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MPBA. Integrantes do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e do Departamento de Polícia do Interior (Depin) da Polícia Civil da Bahia, além de equipes da Seap e SSP, também integraram a força-tarefa. A Operação Sintonia de Gravata integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Gncoc) do Ministério Público brasileiro, intensificando o enfrentamento às facções criminosas em todo o país.
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