A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, em colaboração com o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP), deflagrou a Operação Lívia. A ação desarticula uma organização criminosa que induzia crianças e adolescentes à automutilação e ao suicídio por meio de desafios digitais em plataformas online. A investigação revelou um cenário alarmante de manipulação e exploração de jovens.
Ação Policial Desvenda Rede Criminosa Digital
A atuação conjunta da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e do Ciberlab foi crucial para fundamentar a Operação Lívia. Dados extraídos de dispositivos de uma adolescente de 13 anos em Naviraí (MS), vítima fatal da rede, expuseram a sistemática do grupo. Victor Fernandes, secretário da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi/MJSP), detalhou que a organização utilizava o Telegram para comunicações e divulgação de “eventos” de automutilação e indução ao suicídio, com transmissões em tempo real ocorrendo no Discord.
Alessandro Barreto, coordenador do Ciberlab, definiu o conteúdo como um “verdadeiro espetáculo de horrores”. No caso da adolescente de Naviraí, a “live” se estendeu por 45 minutos sem interrupção pela plataforma, mesmo contrariando normas legais. Durante a transmissão, a vítima foi incentivada à automutilação e, sem conseguir mutilar um gato, foi direcionada a escrever uma carta de despedida e, em seguida, ao suicídio, com instruções detalhadas de posicionamento de câmera e corda. Barreto expressou que, em 25 anos como delegado, “não posso descrever as barbaridades que a gente encontrou”. Ao final da transmissão, uma enquete perguntava aos usuários quem desejava mais, sem pedidos de interrupção.
Modus Operandi e Identificação dos Envolvidos
A investigação da Operação Lívia identificou como alvos os proprietários de perfis no Telegram e Discord. Entre os envolvidos, estão cinco adolescentes – dois de 13 anos, dois de 14 anos e um de 17 anos – e um adulto de 18 anos. Alessandro Barreto, coordenador do Ciberlab, observou que um dos jovens de 14 anos sorria ao ser apreendido, “como se tivesse passado de fase”, um comportamento preocupante. Barreto também destacou uma inversão: “Antes a gente via maiores aliciando menores. O que que a gente está vendo? Menores aliciando menores a cometerem barbaridades”, afirmou.
O grupo utilizava “servidores” do Discord, acessados por convites, para criar “bolhas digitais” e realizar as transmissões. O Telegram, classificado como rede social pelas autoridades, permitia grupos de até 200 mil participantes para propagar os “eventos”. Barreto criticou a “falha terrível de moderação” das plataformas, contrastando a demora em interromper a live da vítima de Naviraí com a rápida remoção de um vídeo de ameaça escolar em outra rede social.
Alerta à Sociedade e Prevenção de Novos Crimes
Em coletiva de imprensa em Brasília (DF), Alessandro Barreto fez um apelo urgente, destacando a importância da vigilância parental sobre as atividades digitais dos filhos. Ele alertou que a maioria dos pais dos adolescentes apreendidos foi pega de surpresa. Barreto descreveu uma “escravidão digital” onde meninas são “subjugadas a fazer verdadeiras barbaridades”, exigindo ação preventiva. A investigação revelou, ainda, que os criminosos criaram uma chave Pix para a adolescente de Naviraí, sem o conhecimento da família, para que ela comprasse ferramentas de automutilação.
A crueldade e o alcance da organização criminosa são um alerta severo. Durante o cumprimento dos mandados, os policiais localizaram evidências de que os envolvidos planejavam a morte de outra jovem na Bahia, demonstrando a urgência da intervenção. A Operação Lívia neutraliza uma grave ameaça, reforçando a capacidade das forças de segurança em combater cibercrimes e garantir a proteção dos mais vulneráveis no ambiente digital, valorizando o trabalho técnico e integrado.
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— METADADOS DE SISTEMA —
CATEGORIA: Segurança Pública
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