Operação Gutenberg desarticula esquema de R$ 27 milhões na Saúde e prende ex-coordenador em MS

Uma operação de alta complexidade e impacto na segurança pública foi deflagrada na última terça-feira, 07 de julho, pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em Mato Grosso do Sul. A ação resultou na prisão de Ed Carlo Britto Burgatt, ex-coordenador da regulação da Secretaria Estadual de Saúde (SES), figura com trajetória de 25 anos no serviço público estadual. A operação, batizada de Gutenberg, tem como objetivo desarticular um robusto esquema de desvio de dinheiro público que, segundo as investigações, movimentou a vultosa quantia de R$ 27 milhões. Imediatamente após a intervenção policial, Burgatt foi afastado de suas funções como coordenador da Coordenadoria de Regulação e Assistência (CRA), conforme documento retroativo à data da prisão.

A execução da Operação Gutenberg ocorreu quando Ed Carlo Britto Burgatt estava a apenas 22 dias de iniciar seu período de férias. Detentor de um cargo de auditor de serviços de saúde, ele recebia uma remuneração expressiva, que chegava a R$ 44,1 mil, valor superior aos vencimentos do próprio governador do estado. As apurações do Gaeco revelam que o Complexo Regulador Estadual (Core), sistema estratégico da SES encarregado de gerenciar o acesso dos cidadãos a leitos hospitalares, exames e consultas especializadas via Sistema Único de Saúde (SUS), estaria sendo utilizado como peça-chave na engrenagem criminosa. A ação do Gaeco no Core, situado na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, durou duas horas para coletar subsídios probatórios.

O Esquema de Corrupção e Seu Impacto Social

O detalhamento da investigação, conforme nota divulgada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), expõe a natureza perversa do esquema. O grupo criminoso, valendo-se da influência de servidores cooptados na área da saúde pública, condicionava a autorização de procedimentos médicos essenciais – como exames, cirurgias e vagas em leitos hospitalares – à aquisição de livros comercializados pelos próprios envolvidos. Essa prática desumana comprometia diretamente o acesso à saúde, transformando um direito básico em moeda de troca para o enriquecimento ilícito de poucos.

A desarticulação deste esquema representa um golpe significativo contra a corrupção que corroía a administração pública e impactava diretamente a vida de milhares de pacientes. O trabalho técnico e investigativo do Gaeco foi crucial para identificar o *modus operandi* e interromper essa cadeia de ilegalidades, visando restaurar a equidade e a eficiência do sistema de regulação de saúde no estado.

Ações Coordenadas e Transparência Governamental

As diligências da Operação Gutenberg se estenderam e resultaram também na prisão de Jessyca Duarte Burgatt, filha de Ed Carlo Britto Burgatt. Jessyca é apontada como integrante do quadro societário de uma operadora de planos de saúde, com sede em Três Lagoas. Este fato sublinha a amplitude da investigação e a busca por identificar todos os envolvidos na rede criminosa.

O governo de Mato Grosso do Sul, por meio de suas forças de segurança, prestou apoio irrestrito à operação do Gaeco, demonstrando compromisso com a elucidação dos fatos e a responsabilização. Em comunicado oficial, a gestão estadual informou que, em linha com suas políticas de compliance e transparência, determinou o afastamento e/ou a exoneração imediata dos servidores investigados. Adicionalmente, a Secretaria de Estado de Saúde e a Controladoria-Geral do Estado instauraram auditorias simultâneas nos procedimentos sob a alçada do Executivo, reforçando a integridade da administração pública.

Controvérsias Pré-existentes sobre o CORE

Paralelamente às investigações sobre corrupção, o Complexo Regulador Estadual (Core) já enfrentava questionamentos sobre sua funcionalidade e eficiência. Conforme uma reclamação encaminhada ao Ministério Público de Dourados em abril de 2025, o Core era considerado, no mínimo, três vezes mais lento e complexo do que o Sistema de Regulação (Sisreg). A denúncia também apontava para problemas técnicos persistentes e não solucionados por seus desenvolvedores. A migração para o Core ainda envolvia a inserção manual de aproximadamente 56 mil fichas de pacientes, um desafio logístico que se somava às falhas operacionais percebidas.

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