O indivíduo que confessou o duplo homicídio de Natália dos Anjos Molina, de 33 anos, e Ademar Spacino Júnior, de 38 anos, foi capturado e reconduzido à prisão em Campo Grande. Deivison Felipe Alves de Brito, de 30 anos, foi interceptado na manhã desta terça-feira, dia 21 de julho, e encaminhado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Bairro Tiradentes, marcando uma ação de resposta efetiva do sistema de justiça e das forças de segurança.
Reversão Judicial e Prisão Preventiva Decretada
A captura de Deivison Felipe Alves de Brito ocorre após a 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, sob a condução do juiz Aluízio Pereira dos Santos, rever a decisão que havia concedido liberdade provisória ao investigado durante uma audiência de custódia. A medida é resultado do acolhimento de recursos apresentados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e pela mãe de Natália, que atua como assistente de acusação, os quais solicitaram a decretação da prisão preventiva.
A decisão judicial, firmada na última sexta-feira, dia 17 de julho, fundamenta a custódia cautelar na presença de requisitos como a materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. O magistrado destacou, ainda, o risco à ordem pública e à aplicação da lei penal, elementos cruciais para a garantia da segurança jurídica e da proteção social. Essa ação reforça o compromisso do sistema de justiça com a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização dos envolvidos em crimes graves.
Análise Técnica da Conduta e Evidências Robustas
Ao reexaminar o caso, o juiz Aluízio Pereira dos Santos sublinhou a gravidade concreta da conduta atribuída a Deivison. Conforme os autos, as vítimas foram atingidas por múltiplos disparos: Natália recebeu três tiros nas costas, enquanto Ademar foi alvejado com dois disparos no tórax. A apreensão de projéteis no interior da residência das vítimas, somada à quantidade e à localização das lesões, enfraqueceu de forma técnica a versão da defesa, que alegava legítima defesa, no estágio atual da investigação.
Adicionalmente, a decisão judicial mencionou que o investigado deixou o local imediatamente após o crime, uma circunstância avaliada como indicativo de risco à aplicação da lei penal. As medidas cautelares anteriormente impostas, que incluíam o uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento ao CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e apresentação periódica em juízo, foram consideradas insuficientes diante da magnitude e da brutalidade dos fatos apurados. A prisão preventiva, neste contexto, neutraliza o risco e assegura a continuidade do processo investigativo.
Retrospectiva do Duplo Homicídio e Ações Integradas
O duplo homicídio ocorreu na manhã de 5 de junho, na Vila Taquarussu, também em Campo Grande. Na ocasião, Deivison foi preso em flagrante pelo GOI (Grupo de Operações e Investigações), uma operação que demonstrou a capacidade de resposta imediata das forças de segurança. Durante o interrogatório, ele confessou os disparos, mas alegou ter agido em legítima defesa. Contudo, em audiência de custódia, foi concedida liberdade provisória mediante monitoramento eletrônico, recolhimento domiciliar e outras medidas.
A decisão inicial motivou o Ministério Público a recorrer, apontando riscos à instrução criminal, à possível influência sobre testemunhas e à segurança de familiares das vítimas. Posteriormente, a mãe de Natália ingressou no processo como assistente de acusação, representada pelo advogado Willian Frata. Seus argumentos, alinhados aos do MP, sustentaram a fragilidade da tese de legítima defesa frente aos elementos colhidos na investigação, reforçando a necessidade da prisão cautelar. A reavaliação do caso pelo juízo culminou na revogação da liberdade e no restabelecimento da prisão de Deivison, que permanece à disposição da Justiça para responder pelos fatos.
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