Jonemar de Ramos Machado, de 49 anos, foi condenado a 27 anos, 9 meses e 23 dias de prisão em regime fechado. A sentença, proferida nesta terça-feira, dia 7, em Dourados, pune o autor pelo feminicídio de sua esposa, Vanderli Gonçalves dos Santos, de 48 anos, e por atirar contra policiais durante a fuga. O caso ressalta a resposta do sistema de justiça e a eficácia das forças de segurança no combate à violência doméstica.
Ação Penal e Condenação Rigorosa
O Conselho de Sentença acolheu integralmente a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que sustentou a intenção de matar e o contexto de violência doméstica, qualificando o crime como feminicídio. Jonemar Machado recebeu 25 anos pela morte da esposa e dois anos, nove meses e 23 dias pelo disparo de arma de fogo em via pública. A decisão determinou o início imediato da pena, considerando o histórico criminal do condenado, com múltiplas condenações anteriores. A defesa alegou disparo acidental, mas as teses foram rejeitadas pelo júri e pelo juiz Ricardo da Mata Reis. A sentença acolheu os argumentos do promotor Luiz Eduardo de Souza Sant’Anna Pinheiro, que apontou ciúmes e comportamento possessivo como motivação. Foi estabelecido o pagamento mínimo de R$ 20 mil por danos morais aos familiares da vítima, com ‘perdimento de valores’ apreendidos do réu para esse fim.
Celeridade na Fuga e Eficiência na Captura Policial
O feminicídio ocorreu por volta das 22h de uma quarta-feira, 27 de novembro de 2024. Após uma discussão, Jonemar teria atirado na cabeça de Vanderli Gonçalves. A vítima estava sem vida ao socorro chegar. O caso foi registrado na Polícia Civil, que iniciou a busca pelo autor, fugitivo em uma caminhonete S10 preta.
A operação de captura mobilizou o Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil. Na manhã seguinte, o veículo do suspeito foi avistado no Jardim Universitário. As equipes monitoraram e abordaram o indivíduo na Rua Eulália Pires. No momento da interceptação, o suspeito disparou contra os policiais e tentou assumir o volante. Em sua tentativa de fuga, ele tentou atropelar um policial e quase atingiu uma criança próximo a uma escola.
Ele abandonou a caminhonete na Avenida Guaicurus, mas a persistência das forças de segurança garantiu que, cerca de 15 minutos depois, o autor fosse localizado e preso na rua, onde se entregou. A arma utilizada no crime não foi encontrada.
Histórico Criminal e Contexto da Violência
Detalhes apurados indicaram que o suspeito passou a noite após o crime em uma “festa” com duas mulheres, uma menor, localizadas na caminhonete abandonada, onde foram apreendidos maconha, um projétil e dinheiro. O histórico criminal de Jonemar Machado, divulgado pelo SIG, é extenso: 17 ocorrências registradas, incluindo mais de oito casos de ameaça e violência doméstica, além de registros por tráfico de drogas, homicídio e investigações por venda de armas. As apurações já indicavam um perfil agressivo e ciumento. Testemunhas relataram que a vítima era submetida a abusos, como a obrigação de permanecer de costas na presença de outros homens na residência.
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