Campo Grande, MS – A fuga de três internos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, constatada durante a conferência de rotina na manhã desta segunda-feira (20), acionou um alerta nas forças de segurança de Mato Grosso do Sul. Os indivíduos, com histórico de envolvimento em crimes graves, como assaltos a bancos e tráfico de drogas, são agora alvos de um intenso trabalho de rastreamento e busca, mobilizando efetivos dedicados a restabelecer a segurança pública. A evasão coloca novamente nas ruas nomes previamente neutralizados por operações estratégicas da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).
Os foragidos foram identificados como Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa. O perfil criminal de cada um ressalta a importância da recaptura para a manutenção da ordem e proteção da sociedade.
Ítalo de Moraes: Articulador em Quadrilha de Assaltos a Bancos
Entre os evadidos, Ítalo de Moraes possui o histórico mais proeminente. Ele é sobrinho de José Cláudio Arantes, conhecido como ‘Tio Arantes’, apontado pelas forças de segurança como um dos maiores assaltantes de bancos do Brasil. A atuação de Ítalo ganhou destaque durante as investigações do ataque aos caixas eletrônicos do Banco do Brasil no Parque de Exposições Laucídio Coelho (Acrissul), ocorrido em 2017. O Garras identificou que Ítalo ocupava uma posição estratégica dentro da organização criminosa.
Para os investigadores, Ítalo era o terceiro homem na hierarquia da quadrilha, com a função de articular a logística das ações, estabelecer a ligação entre ‘Tio Arantes’ e criminosos especializados em roubos a bancos oriundos de São Paulo, além de prestar suporte essencial aos ataques. Relatórios da investigação o descrevem como um dos principais homens de confiança do líder da organização. Após a operação que desarticulou parte da quadrilha, Ítalo permaneceu foragido por um período, sendo posteriormente capturado utilizando documentos falsos. Além dos processos relacionados aos ataques a bancos, ele também responde por tráfico de drogas e associação criminosa.
Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa: Envolvidos em Tráfico de Drogas
Os outros dois internos que se evadiram, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa, foram condenados por tráfico de drogas, resultado de investigações e operações da Denar, unidade especializada no combate ao narcotráfico em Campo Grande.
Bruno Araújo da Silva e o 'Bonde do VP'
Bruno Araújo da Silva foi preso em 2017 durante uma operação da Denar contra o tráfico de drogas na Capital. A investigação identificou que ele integrava um grupo conhecido como ‘Bonde do VP’, suspeito de abastecer diversos pontos de venda de drogas na cidade. Durante a ação, as equipes policiais apreenderam cocaína, dinheiro e telefones celulares. Em um dos aparelhos, foram encontradas fotografias de Bruno exibindo uma arma de fogo e mensagens que exaltavam o grupo. Embora o nome fizesse referência a um traficante carioca, a investigação não apontou qualquer vínculo entre o grupo e facções criminosas do Rio de Janeiro. Bruno foi condenado por tráfico de drogas.
Thiago Pereira Costa e o Depósito de Entorpecentes
Thiago Pereira Costa, o terceiro foragido, foi condenado a seis anos de prisão por tráfico de drogas após ser preso em flagrante pela Denar em janeiro de 2017. Naquela ocasião, policiais localizaram uma residência no Jardim Nova Jerusalém que era utilizada como depósito de entorpecentes. Thiago foi preso junto a outros dois indivíduos. No imóvel, os investigadores apreenderam 3,44 quilos de cocaína, avaliados na época em cerca de R$ 33 mil, além de dois tabletes de maconha que pesavam pouco mais de 1,5 quilo. Parte da cocaína já estava fracionada em papelotes, pronta para a venda, enquanto o restante da droga foi encontrado escondido dentro de um forno. A investigação confirmou que o grupo abastecia usuários e outros traficantes, principalmente na região das Moreninhas. Pela participação no esquema, Thiago foi condenado em maio de 2018 por tráfico e associação para o tráfico.
Constatação da Evasão e Procedimentos Internos
A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) emitiu nota oficial, negando que tenha ocorrido uma invasão ao presídio por grupo armado ou confronto, contrariando informações iniciais que circularam entre as forças de segurança. A evasão dos internos foi percebida durante a contagem de rotina dos custodiados. Um procedimento administrativo foi imediatamente instaurado para apurar as circunstâncias detalhadas da fuga, buscando identificar e corrigir falhas que possam ter contribuído para o ocorrido.
As forças de segurança continuam o trabalho de campo e inteligência para localizar e recapturar os foragidos, reforçando o compromisso com a proteção da sociedade e a integridade do sistema penal. A operação de buscas está em andamento, visando a pronta neutralização desses indivíduos de alta periculosidade.
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