# Estagiário de Direito é preso em Dourados por estelionato e porte ilegal de arma após golpe contra sargento da PM
Uma ação policial em Dourados resultou na prisão de um estagiário de direito, de 31 anos, acusado de aplicar golpe contra um 3º Sargento da Polícia Militar, de 39 anos. O indivíduo é investigado por estelionato, ameaça, porte de arma de fogo com numeração suprimida e exercício ilegal da profissão ou atividade. A ocorrência destaca a pronta resposta da força de segurança diante de uma situação de flagrante.
De acordo com o registro oficial, a vítima informou que o suspeito ofereceu assessoria jurídica e intermediação de serviços financeiros há cerca de dois meses, apresentando-se falsamente como advogado e contador. Ele teria prometido acesso a recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a empresa da qual o policial era sócio, por meio de um projeto específico.
Para dar início ao suposto projeto, o sargento efetuou um pagamento de R$ 4,5 mil no dia 12 deste mês. Além desse valor, o policial alegou ter pagado R$ 400, exigidos como honorários contábeis, e R$ 321,50 por uma suposta alteração de alíquota da empresa, conforme os fatos narrados na ocorrência.
A Descoberta da Fraude e a Intervenção Policial
No sábado, dia 25, o policial e o suspeito se encontraram na residência do estagiário, localizada no bairro Jardim Água Boa. Durante o encontro, a vítima exigiu a apresentação dos registros profissionais na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e no CRC (Conselho Regional de Contabilidade).
Foi nesse momento que o suspeito confessou não possuir qualificação nas áreas e negou o ressarcimento dos valores já pagos. O 3º Sargento acusa o estagiário de afrontá-lo com ameaças, insinuando estar armado ao levar a mão à cintura.
Diante da situação de flagrante, o militar realizou uma “abordagem de nível quatro”, procedimento padrão que envolve a imobilização do suspeito para busca pessoal. Durante a revista, o policial localizou e apreendeu uma pistola calibre 765 com a numeração raspada, além de cinco munições calibre 32.
Após a apreensão, o sargento solicitou o reforço de uma guarnição do batalhão. O indivíduo foi detido e conduzido à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) para os procedimentos legais.
Versão do Suspeito e Desdobramentos da Investigação
Na delegacia, o suspeito confirmou ter sido procurado pelo PM por indicação, alegando atuar na área desde 2021. Ele afirmou que os R$ 4,5 mil recebidos seriam a entrada para o projeto de financiamento junto ao BNDES Investimentos. Declarou ter entregue ao policial um estudo de viabilidade econômica e social, argumentando que um documento do tipo teria custo aproximado de R$ 18 mil, negando estar enganando a vítima ou obtendo vantagem ilícita.
O estagiário negou ter ameaçado o policial ou provocado qualquer discussão. Sobre a arma, alegou mantê-la para defesa pessoal, afirmando ter sido ameaçado por outros clientes que o acusavam de estelionato em situações anteriores. Ele reforçou que não possui formação em direito ou contabilidade, mas que atua com assessoria nessas áreas, utilizando parceiros credenciados para assinar os documentos de seu escritório.
Padrão Operacional Identificado pela Polícia Civil
A Polícia Civil, ao analisar o caso, identificou que não se trata de uma ocorrência isolada, o que motivou a representação pela prisão preventiva do suspeito. Um boletim de ocorrência anterior, datado de 20 deste mês, já trazia acusações semelhantes, incluindo falsificação de documento particular.
As investigações apontam que o indivíduo se apresentava a clientes, parceiros comerciais e terceiros como advogado regularmente inscrito na OAB, ocultando sua condição de estagiário e recebendo valores diretamente em suas contas bancárias. Essa prática induzia as vítimas a acreditar que estavam contratando serviços de um escritório de advocacia legítimo.
A suspeita atual é que o jovem tenha obtido uma vantagem patrimonial ilícita de, pelo menos, R$ 100 mil. Os policiais não descartam a existência de mais vítimas, com relatos de pelo menos sete pessoas ou empresas que alegam ter negociado com o estagiário sob a falsa premissa de que ele era um advogado integrante de uma banca. O caso segue sob investigação do 1º Distrito Policial de Dourados.
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