Justiça determina exames forenses no corpo de “Barão do Tráfico” após suspeita de envenenamento em presídio federal

O Juízo Corregedor da Penitenciária Federal de Campo Grande determinou a realização de exames necroscópicos no corpo de Leonardo Dias Mendonça, conhecido como “Barão”, de 63 anos. A medida foi tomada após vir à tona a suspeita de um possível envenenamento do interno, que teve morte encefálica confirmada em 20 de agosto, após ser internado na Santa Casa de Campo Grande. A investigação foca em esclarecer as circunstâncias do óbito e o atendimento de saúde prestado, garantindo a transparência e a elucidação dos fatos.

Conforme informações levantadas pelo Plantão 190 Brasil, “Barão” estava sob custódia na capital sul-mato-grossense e apresentou um mal-estar durante uma visita virtual com a filha, realizada na sexta-feira, 14 de agosto. Na ocasião, a suspeita inicial era de que ele teria sofrido um AVC (acidente vascular cerebral) ou derrame. Imediatamente após o episódio, o interno foi encaminhado para a enfermaria do presídio federal para acompanhamento.

O detento permaneceu na unidade prisional e somente foi transferido para a Santa Casa na segunda-feira, 17 de agosto, após sofrer uma parada cardíaca. Para a família, os médicos da Santa Casa informaram que o paciente chegou em estado grave, com poucas condições de reversão do quadro clínico, o que levou à confirmação da morte cerebral na quinta-feira subsequente.

Investigação e Ações da Defesa

Os advogados Osmar Cozzatti e Ana Cláudia Alves trabalham para constatar se houve eventual negligência ou falha na assistência médica prestada a Leonardo Dias Mendonça. Ambas as defesas emitiram notas à imprensa, destacando a necessidade urgente de esclarecer as circunstâncias da morte do detento, especialmente diante da informação anteriormente transmitida à família e à defesa acerca de suspeita de envenenamento.

A decisão do Juízo Corregedor da Penitenciária Federal de Campo Grande estabeleceu que o corpo do detento passará por exames necroscópicos, incluindo análises toxicológicas e histopatológicas, com o objetivo de identificar a causa exata do falecimento. A determinação judicial também inclui a realização de uma inspeção extraordinária na Penitenciária Federal de Campo Grande. Esta inspeção visa apurar as condições do óbito e a qualidade do atendimento de saúde oferecido a Leonardo, além de garantir a preservação integral das imagens do circuito de monitoramento relativas ao período.

Na nota assinada pela advogada Ana Cláudia, a defesa enfatiza que “As providências são especialmente relevantes diante das circunstâncias que cercam a morte de Leonardo e da informação anteriormente transmitida à família e à defesa acerca de suspeita de envenenamento”. O advogado Osmar Cozzatti reforça a cobrança por respostas claras sobre a causa da morte, afirmando: “Não estou antecipando uma conclusão, porque ainda precisamos ter acesso aos documentos e registros médicos. Mas é absolutamente necessário esclarecer por que um preso que apresentou um quadro neurológico grave durante uma visita permaneceu na enfermaria do presídio durante todo o fim de semana e somente foi encaminhado a um hospital na segunda-feira.”

A defesa também mencionou o encaminhamento de ofícios à direção do Presídio Federal, relatando diversos problemas na assistência fornecida aos internos. Entre os pontos levantados estão a presença de alimentações com sinais de deterioração, incidência de ratos, problemas estruturais e quedas de energia recorrentes na unidade, fatos que adicionam complexidade ao cenário investigado.

Perfil do Interno e Histórico Criminal

Leonardo Dias Mendonça, natural de Goiás, cumpria pena por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, falsidade ideológica e lavagem ou ocultação de bens. Ele foi descrito como um antigo aliado de Fernandinho Beira-Mar, um dos líderes do Comando Vermelho, e era considerado um dos maiores narcotraficantes do Brasil. Seu envolvimento com o tráfico internacional se estendeu por mais de 20 anos, chegando a constar na lista de procurados pela Interpol.

Na década de 2000, “Barão” foi investigado por ser um dos principais chefes do tráfico na América Latina. Ele também foi apontado por negociar cocaína com membros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em troca de armas, evidenciando seu perfil operacional e a complexidade de suas atividades criminosas no cenário internacional do narcotráfico.

O corpo de “Barão” só será liberado para a família após a conclusão de todos os procedimentos periciais e a emissão dos laudos. Posteriormente, será realizado o translado para Goiás, estado onde a família realizará o sepultamento.

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