Polícia Civil de Campo Grande apura denúncia de agressão a criança autista em escola municipal

A Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) de Campo Grande deu início a uma investigação detalhada após receber uma denúncia de maus-tratos qualificados contra uma criança autista de 8 anos. O caso, que teria ocorrido em uma escola municipal, mobiliza a Polícia Civil na apuração dos fatos, visando garantir a segurança e a integridade de menores em ambientes educacionais.

Registro da Ocorrência e Depoimento Especial

A denúncia foi formalizada pela mãe do menino, Lucineia de Sousa Pereira, de 45 anos, na manhã da última quinta-feira, 20 de agosto. Segundo o boletim de ocorrência, a mãe procurou a delegacia para relatar o episódio e levou o filho para prestar um depoimento especial. Este tipo de procedimento é adotado para proteger a vítima durante a coleta de informações, assegurando um ambiente adequado para crianças e adolescentes. A gravidade da situação levou ao registro do caso como maus-tratos qualificados, uma tipificação penal aplicada quando o crime é praticado contra pessoa menor de 14 anos.

A atuação da DEPCA nesse contexto reforça o compromisso das forças de segurança em investigar com rigor qualquer indício de violência ou negligência contra a população infanto-juvenil. O trabalho técnico envolve a coleta de depoimentos, análise de evidências e todas as etapas necessárias para o completo esclarecimento dos fatos.

Detalhes do Incidente Apresentados pela Mãe

Conforme a versão apresentada por Lucineia, o incidente ocorreu dentro da Escola Municipal Professora Maria Tereza Rodrigues, localizada no Jardim Santa Emília. O menino, que cursa o 2º ano do ensino fundamental no período matutino, teria apresentado uma crise de agitação no momento de retorno do recreio. A mãe descreveu que o filho ficou agitado, balançou a cabeça e chegou a atingir a barriga de uma funcionária que controlava a passagem dos alunos em um portão interno da escola. Lucineia salientou que o menino, embora seja super inteligente, costuma apresentar crises e necessita de tempo para se reorganizar, sendo incomodado por barulhos que o descontrolam.

Ainda de acordo com o relato da mãe, após o menino atingir a funcionária, uma monitora da escola teria desferido um tapa no rosto da criança. A suposta agressão, segundo Lucineia, foi tão impactante que o menino teria desmaiado e caído ao chão. Uma segunda funcionária, que teria presenciado a situação, socorreu a criança e a encaminhou à direção da escola. A mãe tomou conhecimento do ocorrido ao buscar o filho na unidade de ensino, e o próprio menino, já na sala da direção, confirmou à mãe que havia desmaiado, uma informação que a deixou em choque.

Avanço da Investigação e Apuração dos Fatos

Lucineia de Sousa Pereira afirmou que a escola teria elaborado uma ata sobre o incidente, mas que ela não recebeu uma cópia do documento. A denúncia da mãe ganha peso com o fato de que, segundo seu relato, outra monitora teria confirmado a agressão. Essa funcionária, que também testemunhou a situação e conduziu o menino à direção, teria corroborado a versão de que a outra monitora agrediu a criança a ponto de ela desmaiar, indicando a força do impacto e a gravidade do ato.

A Polícia Civil, por meio da DEPCA, está agora empenhada em apurar todas as circunstâncias do caso. O boletim de ocorrência registra que o menino não apresentava lesões aparentes no momento em que prestou o depoimento especial, um dado que será considerado na investigação. Contudo, a ausência de lesões visíveis não diminui a seriedade das acusações e a necessidade de uma rigorosa apuração para determinar a verdade dos fatos e as responsabilidades envolvidas. O objetivo é assegurar que a proteção da criança seja prioritária e que qualquer conduta inadequada em ambientes de ensino seja devidamente investigada e tratada.

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