Uma operação integrada deflagrada nesta segunda-feira (28), em Salvador, resultou na prisão de dez pessoas e no cumprimento de quinze mandados de busca e apreensão. A ação, conduzida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) com o apoio das forças de segurança do estado, visa desarticular um grupo investigado por denúncias de tortura, extorsão, roubo, ameaça e associação criminosa.
Entre os presos estão o presidente e o vice-presidente da Bamor, torcida organizada do Bahia, identificados como Matheus Castro e Luciano Venâncio. Um policial militar também foi capturado durante a operação, que apura um esquema de agressões e transferências financeiras ilícitas ocorridas na sede da associação.
Investigação Detalha Ações Criminosa e Identifica Alvos
As investigações apontam que pelo menos duas pessoas foram submetidas a intensas agressões na sede da torcida, em julho deste ano. As vítimas teriam sido pressionadas a confessar supostas irregularidades e, diante da negativa, foram alvo de violência sistemática. A promotora de Justiça Thelma Leal afirmou que integrantes da direção da Bamor estão entre os presos e que os investigados participaram das agressões em diferentes níveis.
Uma das vítimas, chamada à sede para dar explicações sobre um suposto desfalque, foi submetida a horas de espancamentos, sufocamento e simulação de afogamento. Objetos como tacos, martelo e faca teriam sido utilizados nas agressões. No dia seguinte, uma segunda pessoa foi atacada de maneira similar.
Extorsão Financeira e Envolvimento de Agente de Segurança
Além da tortura física, as investigações revelam a ocorrência de extorsão. Uma das vítimas relatou ter permanecido cerca de quatro horas sob agressões e foi obrigada a fornecer a senha de uma conta bancária. Aproximadamente R$ 5,8 mil foram transferidos para a conta da associação, configurando o crime de extorsão, roubo e ameaça.
A promotora Thelma Leal confirmou que um policial militar preso na operação era associado à Bamor e teria participado diretamente das agressões. A investigação, no entanto, não aponta que o PM ocupava cargo na diretoria da torcida.
Impacto da Operação e Próximos Passos
A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e o MP-BA reforçam que a operação é direcionada contra os indivíduos envolvidos nos crimes, e não contra a Bamor enquanto associação. A sede do grupo foi fechada por ter sido o local das agressões, conforme evidências levantadas pela investigação. O Ministério Público da Bahia também conduz outras apurações relacionadas à associação e trabalha na elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
A torcida organizada Bamor, procurada pela emissora, optou por não se pronunciar sobre a operação. O caso permanece sob investigação, com as forças de segurança atuando para garantir a completa elucidação dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, reforçando o compromisso com a proteção da sociedade e a manutenção da ordem pública.
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