Forças de Segurança Capturam Casal Condenado por Tortura em Portugal Após Sentença Definitiva

Em operação de alcance internacional, autoridades prenderam em Portugal a advogada Marluci Cabrera Bellini Henares, de 49 anos, e seu marido, Djalma Antônio Henares Júnior, de 56. O casal foi condenado a 17 anos e seis meses de prisão por tortura contra internos de uma clínica de reabilitação em Ribeirão Preto, São Paulo. Esta captura internacional reforça o compromisso das forças de segurança com a justiça e a proteção social, superando a fuga dos condenados.

Este desdobramento internacional ocorre após a condenação definitiva. Os investigados haviam deixado o Brasil legalmente em 2014, no início das apurações. O Ministério Público solicitou a prisão preventiva, mas o pedido foi negado pela Justiça. Sem ordem de prisão expedida, eles viajaram para Portugal, onde se estabeleceram.

Investigação Detalhada e Trabalho Técnico Conjunto

O caso veio à tona em agosto de 2014, após denúncias de ex-internos e suas mães à Promotoria de Justiça. Os relatos indicavam agressões e torturas na clínica, localizada no bairro Recreio das Acácias, em Ribeirão Preto.

Em 5 de agosto daquele ano, uma ação coordenada do Ministério Público e Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão. Durante a operação, dez pacientes foram resgatados. Agentes localizaram e apreenderam pedaços de madeira, cordas e faixas. Ao longo da investigação, 24 ex-internos foram ouvidos, e seus depoimentos apresentaram relatos consistentes de agressões.

As denúncias detalhavam violência: agressões com socos e pedaços de madeira, internos amarrados e forçados ao chão, castigos psicológicos, administração forçada de medicamentos controlados e relatos de violência sexual. A gravidade dos fatos exigiu um trabalho investigativo minucioso das autoridades.

Captura Internacional e Processo de Extradição

A condenação dos envolvidos tornou-se definitiva em junho de 2026, com a manutenção da sentença pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Esgotados os recursos no Brasil, a Justiça brasileira expediu mandados de prisão e incluiu os condenados na Difusão Vermelha da Interpol, acionando a cooperação internacional. A localização de Marluci e Djalma em Portugal resultou de esforço integrado, com apoio da Polícia Federal e informações de outras investigações.

Djalma Antônio Henares Júnior foi capturado em 9 de julho, na Amadora, região metropolitana de Lisboa. No dia seguinte, teve a prisão mantida em audiência. Marluci Cabrera Bellini Henares foi localizada e presa em 17 de julho, na ilha de São Miguel, nos Açores, onde morava e dava aulas de zumba. O casal, integrado à comunidade local, levava uma vida aparentemente normal.

Ambos permanecem detidos em Portugal enquanto tramita o pedido de extradição para o Brasil. O Ministério da Justiça e Segurança Pública coordena o processo via diplomática. Por ser crime de tortura, considerado hediondo pela legislação brasileira, a pena será iniciada em regime fechado no retorno ao país.

Outras Prisões Relacionadas ao Caso

Além de Marluci e Djalma, Angelo Bellini Neto, sobrinho de Djalma e que exercia a função de monitor na clínica, também foi condenado no mesmo processo. Ele foi localizado e preso em Cravinhos, no interior de São Paulo. O processo, que teve início com denúncias de ex-pacientes e seus familiares, demonstrou a persistência das autoridades, estendendo-se por mais de uma década até a condenação definitiva e a efetivação das prisões.

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