A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol, registrou e iniciou a investigação de um sofisticado golpe que resultou na subtração de cerca de R$ 30 mil da conta bancária de uma idosa de 71 anos, residente no bairro Rita Vieira, em Campo Grande. A ação criminosa, concretizada na última quinta-feira, dia 16 de julho, utilizou uma videochamada e manipulação de acessibilidade em aplicativos para obter acesso indevido ao aparelho da vítima.
Tática Operacional da Fraude: Engano e Manipulação Digital
A fraude teve início com uma ligação recebida pela vítima via WhatsApp, partindo de um número que exibia o símbolo da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems) na foto de perfil. Durante a interação, uma mulher, apresentando-se como funcionária da instituição, informou a ocorrência de cobranças indevidas nos meses de fevereiro e março, prometendo o ressarcimento dos valores. Essa estratégia inicial visava construir uma falsa credibilidade e explorar a confiança da idosa em uma entidade de seu conhecimento.
Na sequência, a suposta atendente solicitou que a vítima realizasse uma videochamada, afirmando que seria para orientá-la sobre o procedimento necessário para o suposto reembolso. Durante a conexão, a idosa não visualizava a pessoa do outro lado, apenas uma tela preta, enquanto ouvia a voz da golpista. Este detalhe é crucial, pois permitiu à criminosa operar sem ser identificada visualmente, concentrando-se na manipulação verbal.
O aprofundamento do golpe se deu quando a golpista demonstrou possuir informações pessoais da vítima, incluindo o fato de ela ser titular de contas em diversos bancos. Com essa vantagem, a autora da fraude passou a insistir veementemente para que a idosa acessasse seus aplicativos bancários durante a videochamada. Esse movimento, percebido pela vítima, gerou um alerta crucial.
Desconfiança e Acionamento Policial: Resposta à Fraude Digital
A percepção de que algo estava errado fez com que a vítima se recusasse a seguir as novas orientações e encerrasse a ligação. Quase imediatamente após o término da chamada, a idosa notou que seu celular havia travado, e sinais evidentes indicavam que a câmera e o microfone do aparelho estavam ativos, sugerindo uma invasão ou controle remoto.
Diante da situação, a idosa procurou a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol, onde as equipes policiais realizaram o primeiro atendimento técnico. No local, os agentes conseguiram reiniciar o aparelho celular e, em uma análise preliminar, constataram que havia sido concedido acesso total ao aplicativo da Cassems, incluindo permissões cruciais para o uso da câmera e do microfone. A vítima relatou ter autorizado algumas permissões relacionadas à acessibilidade, sem ter plena consciência dos recursos que estava liberando à criminosa.
Perdas Financeiras Confirmadas e Próximos Passos da Investigação
Enquanto a idosa ainda estava na delegacia prestando depoimento, uma notificação de movimentação bancária chegou ao seu aparelho. Após contato imediato com a instituição financeira, foi confirmada a retirada de aproximadamente R$ 30 mil de uma de suas contas. Este fato sublinha a agilidade e a capacidade de execução dos criminosos após obterem o acesso ao dispositivo.
A Polícia Civil, através da Depac Cepol, orientou a vítima a não utilizar mais o celular, mantendo-o à disposição da perícia criminal para as análises técnicas aprofundadas necessárias à investigação. Além disso, a idosa deverá buscar contato com as demais instituições financeiras para levantar o valor total do prejuízo sofrido. O caso foi formalmente registrado e a Polícia Civil dará seguimento às investigações para identificar e neutralizar a rede criminosa responsável por este tipo de fraude digital que vitimiza a população.
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