Empresário é preso em Bonito com medicamentos paraguaios e produtos de descaminho no aeroporto

A fiscalização ativa no Aeroporto Regional de Bonito, na região Sudoeste de Mato Grosso do Sul, resultou na prisão em flagrante do empresário Luciano Sidone do Espírito Santo, de 44 anos. O indivíduo foi detido ao tentar embarcar transportando uma carga de medicamentos de origem paraguaia, sem o devido registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e outros produtos importados ilegalmente, configurando crimes de importação de medicamento sem registro e descaminho. A ação reitera a vigilância das forças de segurança contra ilícitos.

A operação apreendeu 38 caixas de medicamentos, predominantemente tirzepatida – substância utilizada no tratamento da obesidade – que estavam camufladas sob o casaco do passageiro. Essa ocultação visava burlar os controles de inspeção, evidenciando a tentativa de introduzir produtos sem controle sanitário no mercado nacional, representando risco à saúde pública.

Vigilância Aeroportuária Detecta Irregularidades

A descoberta ocorreu durante a inspeção por raio-X no setor de embarque. Funcionários responsáveis pela fiscalização notaram uma conduta suspeita do empresário. Ao analisar o casaco pelo equipamento, as imagens revelaram diversas caixas de medicamentos ocultas. Imediatamente, a equipe acionou a Guarda Municipal, que realizou a abordagem para as devidas averiguações.

Durante a intervenção, a fiscalização foi estendida às bagagens despachadas por Luciano. Submetidas ao raio-X, elas continham outros itens de origem paraguaia, incluindo perfumes, cremes, brinquedos e um roteador. A ausência de documentação fiscal e de comprovação de importação regular das mercadorias levou ao impedimento de embarque. O passageiro foi então conduzido à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos investigativos e registro da ocorrência.

Interrogatório e Contradições Investigativas

Na Delegacia de Polícia Civil, Luciano Sidone do Espírito Santo, acompanhado por sua advogada, foi interrogado. Suas declarações sobre a origem e o propósito dos itens apreendidos foram consideradas contraditórias pela autoridade policial. Inicialmente, ele negou que todos os produtos fossem do Paraguai, alegando ter viajado para compromissos de negócios em Ponta Porã e aproveitado para “olhar alguns negócios”.

Sobre os perfumes, cremes e brinquedos, o empresário admitiu a compra no Paraguai, afirmando que seriam presentes para filhas e funcionárias. No entanto, a quantidade de mais de 30 itens, em contraste com o número de beneficiários inicialmente mencionados (dois filhos, um funcionário registrado e cerca de dez eventuais), foi questionada. Luciano complementou a justificativa, dizendo que pretendia presentear também outros familiares.

Em relação aos medicamentos, Luciano mudou sua versão. Ele declarou uso pessoal e de sua esposa para tratamento de obesidade e depressão, justificando a compra em volume pela diferença de preço – cerca de R$ 4 mil por tratamento em Belo Horizonte. Alegou possuir receita médica, mas afirmou não a ter apresentado na abordagem por não ter sido solicitada.

A autoridade policial apontou inconsistências. O auto de prisão registrou que Luciano, a princípio, declarou ter adquirido *todas* as mercadorias no Paraguai. Adicionalmente, as receitas médicas apresentadas posteriormente cobriam apenas a tirzepatida, não os demais medicamentos encontrados. Essas divergências reforçaram a fundamentação para as autuações por importação de medicamento sem registro e descaminho.

Com base nas evidências e nas apurações, Luciano Sidone do Espírito Santo foi autuado em flagrante. A fiança não foi arbitrada, mantendo o indivíduo preso e à disposição da Justiça. A operação reitera o empenho das forças de segurança na proteção da sociedade e no combate a práticas ilícitas que desafiam a legislação vigente.

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