Ministério Público e Polícia Nacional aprofundam investigação sobre morte de feto por asfixia em Pedro Juan Caballero

A Polícia Nacional e o Ministério Público do Paraguai, atuando em Pedro Juan Caballero, intensificam as investigações sobre a morte de um feto, de 37 a 38 semanas de gestação, que foi levado já sem vida a um hospital no dia 11 deste mês. O caso, ocorrido na cidade fronteiriça de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, teve uma reviravolta significativa após exames forenses descartarem a hipótese inicial de aborto espontâneo e apontarem para asfixia como causa da morte.

A Descoberta e a Demanda por Análise Rigorosa

Inicialmente, quando o feto foi dado como morto ao dar entrada na unidade de saúde, a primeira suspeita levantada foi a de um aborto espontâneo. No entanto, a promotora de Justiça Kátia Uemura, buscando o esclarecimento completo dos fatos e a precisão técnica da ocorrência, exigiu a realização de exames mais detalhados. A análise aprofundada foi então encaminhada ao IML (Instituto Médico Legal) na capital Asunción, demonstrando o rigor da investigação conduzida pelas autoridades paraguaias.

Nesta segunda-feira (29), a promotora Kátia Uemura recebeu o laudo técnico dos médicos forenses, documento que modificou substancialmente o panorama do caso. A conclusão pericial revelou que a morte do feto não foi natural, mas sim decorrente de asfixia, direcionando a investigação para um novo e grave desdobramento na esfera criminal.

Laudo Forense Revela Morte por Asfixia e Sinais de Pós-Nascimento

Em entrevista à rádio Urundey FM, Kátia Uemura detalhou o conteúdo do relatório oficial, assinado pelos legistas Pablo Lemir e Liliana González. O documento pericial revelou que o feto, do sexo masculino, pesava 3.580 gramas e apresentava diversos sinais consistentes com sufocamento. A análise técnica é crucial para o avanço das diligências, fornecendo subsídios científicos irrefutáveis.

A inspeção corporal minuciosa detectou manchas roxas nos lábios e unhas do feto, bem como marcas de sangramento no nariz e na boca, indicativos claros de violência. Além disso, foram encontradas escoriações em ambos os lados do pescoço, evidências que reforçam a tese de asfixia. O trabalho técnico do IML é fundamental para a elucidação das circunstâncias da morte.

Os exames mais aprofundados realizados pelos peritos também revelaram um dado determinante: a presença de ar nos pulmões do recém-nascido. Essa constatação científica demonstra, sem margem para dúvidas, que o feto respirou após o nascimento, descartando categoricamente a possibilidade de morte natural enquanto ainda estava no útero materno e confirmando a necessidade de investigação para um possível homicídio.

O Depoimento da Mãe e o Rumo da Investigação

Conforme apurado pela promotora Kátia Uemura, a sequência dos fatos indica que, no dia 11 de junho, a mãe, uma mulher de 30 anos, procurou o centro médico Juan Pablo II, localizado no Bairro Obrero, alegando sentir dores estomacais. Durante a permanência no banheiro da unidade, a mulher deu à luz o bebê.

Posteriormente, a mãe e o feto foram encaminhados ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde uma médica plantonista confirmou o óbito do recém-nascido. Em seu depoimento, a mãe alegou que não tinha conhecimento de sua gravidez até o momento do parto. Contudo, o laudo dos legistas, com suas descobertas científicas sobre a causa da morte e a respiração pós-nascimento, contraria diretamente a alegação de morte natural dentro do útero, impulsionando a investigação a se aprofundar nas circunstâncias que levaram ao trágico desfecho.

A Polícia Nacional e o Ministério Público seguem empenhados em esclarecer todos os detalhes deste grave caso, buscando a responsabilização dos envolvidos e reafirmando o compromisso com a justiça e a proteção da vida em Pedro Juan Caballero. A investigação prossegue com foco na coleta de mais provas e na análise das informações para a completa elucidação do ocorrido.

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