Campo Grande enfrenta um cenário crítico na manutenção de sua infraestrutura viária. A partir de julho, sete regiões da capital sul-mato-grossense podem ficar sem o serviço de tapa-buracos, uma consequência direta do término de contratos e da decisão de não renová-los. Esta situação é intensificada pelas investigações que desarticularam um esquema de fraude milionário, revelado pela Operação Buraco Sem Fim do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que expôs a má gestão de recursos públicos e a falha na prestação de serviços essenciais à população.
Esquema de corrupção e paralisação dos serviços
Atualmente, quatro das sete regiões de Campo Grande já operam sem o serviço de tapa-buracos. Os contratos com as empresas responsáveis esgotaram o saldo previsto e, conforme reunião entre a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e vereadores, não receberão aditivos. Essas regiões – Anhanduizinho, Bandeira, Imbirussu e Segredo – estavam sob a responsabilidade da Construtora Rial, que se tornou alvo central da investigação por suposta corrupção e recebimento indevido de recursos.
A Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), braço do MPMS, identificou uma organização criminosa que atuava de forma sistemática para fraudar a execução de serviços de manutenção de vias públicas. A investigação apontou a manipulação de medições e a realização de pagamentos indevidos, resultando em ‘evidências que revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais’.
Entre 2018 e 2025, a empresa investigada teria faturado contratos e aditivos que totalizam R$ 113.702.491,02. A parceria atual entre a Construtora Rial e a Sisep para as quatro regiões já paralisadas soma R$ 114.608.571,16, valores que denotam a grandiosidade do esquema desarticulado pelo MPMS.
Ação rigorosa do MPMS e prisões efetuadas
A efetividade da Operação Buraco Sem Fim foi demonstrada em maio, quando o Gecoc cumpriu mandados e prendeu sete pessoas diretamente envolvidas com o esquema fraudulento. Entre os indivíduos presos estavam o ex-secretário de Infraestrutura, Rudi Fiorese; o engenheiro da Sisep, Mehdi Talayeh; e o proprietário da Construtora Rial, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa. Esta ação reforça o compromisso das forças de segurança em combater a corrupção e proteger o erário público, garantindo que os responsáveis por desvios sejam levados à justiça.
Busca por soluções e o futuro da manutenção viária
Diante do cenário de paralisação e da recusa em aditivar ou renovar os contratos com as empresas investigadas, a administração municipal planeja utilizar o contrato fechado por meio do Consórcio Central-MS. Este consórcio, composto por Campo Grande, Sidrolândia, Dois Irmãos do Buriti, Terenos e Jaraguari, alugou uma usina de asfalto como alternativa. No entanto, o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto (Papy), expressou preocupação sobre a capacidade da usina em atender toda a demanda da capital.
Para evitar que Campo Grande fique completamente desassistida, sugestões como a realização de uma licitação de emergência foram apresentadas, caso a capacidade de produção do consórcio se mostre insuficiente. Em resposta, o secretário André Brandão, da Sisep, afirmou que a pasta colocará mais equipes em julho para realizar o serviço, com o objetivo de ‘entrar agosto com uma produção muito maior’, buscando normalizar a manutenção das vias após a desarticulação do esquema fraudulento e a paralisação dos serviços anteriores.
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