Em uma ação coordenada que destaca a eficiência das forças de segurança, o vereador Senival Moura (PT), de São Paulo, é preso nesta quinta-feira (25) durante a deflagração da Operação Última Parada. A iniciativa, conduzida em conjunto pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil, visa desarticular um complexo esquema de lavagem de dinheiro com indícios de ligação ao crime organizado. Além do parlamentar, Lourival de França Monário, presidente da empresa Transunião, também figura como um dos alvos da operação.
A investigação centraliza-se na suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no estratégico sistema de transporte público da capital paulista, especificamente por meio da empresa de ônibus Transunião. Este caso marca a quarta empresa do setor na cidade a ser investigada por possível conexão com a facção criminosa, conforme apontam informações.
Resultados Operacionais: Mandados Cumpridos e Bens Apreendidos
A Operação Última Parada mobilizou um extenso aparato judicial e policial. A Justiça expediu cinco mandados de prisão temporária, que foram cumpridos pelas equipes, e impressionantes 103 mandados de busca e apreensão. As ações operacionais se estenderam por diversas cidades nos estados de São Paulo e Minas Gerais, demonstrando a abrangência da rede investigada. Em uma medida robusta para neutralizar o esquema, a decisão judicial também determinou o bloqueio de até R$ 194 milhões em bens dos investigados.
Adicionalmente, as forças de segurança realizaram apreensões significativas de ativos que teriam sido utilizados ou adquiridos no esquema. Foram apreendidos 117 ônibus, 21 imóveis e três embarcações, bens que somados representam um impacto direto nas finanças e na estrutura operacional do grupo investigado. Essas apreensões são fruto de um trabalho técnico e investigativo que busca descapitalizar as organizações criminosas.
A Atuação do Vereador e o Esquema Financeiro Descoberto
De acordo com as apurações, o vereador Senival Moura, apesar de não figurar formalmente no quadro societário da Transunião, é investigado por suposta atuação no controle da estrutura financeira da empresa. Para a Polícia Civil, o parlamentar exercia influência sobre a gestão da companhia e teria participado ativamente de um sistema complexo, desenhado para ocultar e movimentar recursos ilícitos supostamente ligados ao PCC. Essa metodologia é comum em crimes de lavagem de dinheiro, buscando dar aparência legal a valores de origem criminosa.
Os relatórios do Deic, fundamentados em detalhadas análises de dados, apontam que a Transunião movimentou cerca de R$ 1 bilhão em um período investigado, considerando operações de crédito e débito. A expertise dos investigadores permitiu a identificação de aproximadamente R$ 25 milhões em valores cuja origem não foi claramente comprovada. Essa discrepância financeira robustece as suspeitas de lavagem de dinheiro, revelando a complexidade da rede desarticulada pelas equipes de segurança pública.
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