Sargentos da PMMS Obtêm Liberdade Após Revisão Judicial de Provas em Caso de Abordagem em Ponta Porã

Dois sargentos da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) foram soltos do PME (Presídio Militar Estadual) em Campo Grande, após 84 dias de detenção. A decisão judicial beneficia um militar, que havia sido reconhecido por uma característica física, e outro sargento, ambos investigados por suposto envolvimento em uma abordagem truculenta. O episódio destaca a rigor na análise probatória em processos que envolvem a conduta de agentes de segurança.

Início da Investigação: Denúncia de Abordagem Irregular em Ponta Porã

O caso remonta a 18 de setembro do ano passado, em Ponta Porã, a 295 km de Campo Grande. Um servidor público de Brasília (DF) alegou ter sido submetido a uma abordagem irregular por uma equipe do TOR (Tático Ostensivo Rodoviário) enquanto retornava de uma viagem para recuperar um maquinário furtado. Segundo seu relato, policiais teriam o obrigado a sair do veículo, ajoelhar-se, apontado uma arma para sua cabeça e efetuado um disparo na direção de sua mão. A denúncia formalizada na Corregedoria da PMMS cerca de 16 dias após o incidente, resultou na abertura de um inquérito.

Desenvolvimento do Inquérito e a Prisão dos Sargentos

Investigações preliminares identificaram quatro militares, contudo, o sargento agora solto não constava nos registros iniciais. A ausência de provas concretas levou o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) a solicitar o arquivamento. No entanto, o processo foi reaberto após o denunciante alegar ter recebido ameaças. Subsequentemente, os dois sargentos foram presos. A Aspra (Associação de Praças da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul) informou que um dos detidos não fazia parte da equipe originalmente investigada.

Durante a custódia, o sargento “de bigode” apresentou representação a próprio punho ao CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), contestando a conduta do membro do MPMS. Ele argumentou não ter vínculo com o ocorrido, não participou da abordagem e estava em outro local no momento dos fatos. Mencionou ainda que o caso foi apurado pelo IPM (Inquérito Policial Militar) sob responsabilidade do Gaeco/Gacep, evidenciando múltiplas frentes investigativas.

Decisão Judicial: Falhas no Reconhecimento Fundamentam a Soltura

A soltura dos sargentos foi fundamentada na fragilidade do reconhecimento. A Aspra enfatizou que a vítima não realizou uma identificação “positiva, segura ou categórica”, manifestando apenas “dúvida e mera semelhança”. A forma de apresentação das fotografias também foi crucial; apenas um dos policiais possuía a característica física do “bigode”, fator que pôde ter influenciado a indicação e reduzido sua confiabilidade. O sargento destacou que, em videoconferência, não foi reconhecido e que a menção genérica ao “bigode” o singularizava.

Diante das incertezas e da insuficiência de força probatória para sustentar a prisão preventiva, o juízo determinou a liberdade. A decisão não é um julgamento definitivo do mérito, mas o reconhecimento de que os indícios de autoria, naquele momento processual, não justificavam a custódia cautelar. Este desfecho reitera a exigência de provas robustas para medidas restritivas de liberdade.

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