Justiça mantém prisão de veterinária investigada por tentativa de homicídio
A médica veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, teve sua prisão mantida pela Justiça após passar por audiência de custódia realizada nesta terça-feira, 23 de junho, em Campo Grande. A decisão judicial proferida consolida a detenção da investigada, que havia sido capturada na tarde anterior, em decorrência de um grave incidente onde seu marido, de 41 anos, sofreu severas queimaduras durante uma discussão do casal.
Decisão judicial reforça gravidade do caso e proteção à vítima
A determinação do magistrado para a manutenção da prisão preventiva **fundamentou-se na gravidade das circunstâncias** do caso e no **estado crítico de saúde** da vítima. O homem permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Proncor, intubado e em condições delicadas. Relatos médicos indicam que ele teve aproximadamente 30% do corpo queimado, com as lesões concentradas principalmente no tronco e nos braços. O juiz **avaliou a necessidade da custódia cautelar** para a garantia da ordem pública e a segurança da vítima, considerando que a situação exige cuidados médicos intensivos e que a liberdade da investigada poderia comprometer a apuração dos fatos, mesmo diante de Lidiane possuir residência fixa, trabalho e não apresentar registros criminais relevantes anteriores.
A **Polícia Civil** de Campo Grande **conduz a investigação** sobre o caso, tipificado como tentativa de homicídio. As equipes policiais trabalham na coleta de evidências e depoimentos para elucidar a dinâmica completa do incidente, valorizando a precisão técnica na apuração.
Investigação detalha dinâmica do incidente e depoimentos
Durante o inquérito policial, Lidiane Cecília Pereira **prestou depoimento** às autoridades, onde **afirmou não ter a intenção de ceifar a vida do marido**. Segundo seu relato, a motivação inicial era **pressioná-lo a admitir uma suposta traição**, que teria começado após o companheiro assumir um cargo em Brasília, no ano de 2024. A discussão entre o casal, que já perdurava por cerca de 26 anos e tem dois filhos, **escalou-se desde a madrugada de segunda-feira**, intensificando-se pela manhã quando o marido se preparava para retornar à Capital Federal.
Conforme a versão da veterinária, ela pegou um recipiente com álcool na cozinha e retornou ao quarto, onde o marido organizava uma mochila para a viagem. Lidiane **declarou que sua intenção era queimar a mochila** com os pertences do companheiro para impedi-lo de viajar, e acredita que parte do álcool atingiu a camiseta que ele usava. Na sequência, o marido dirigiu-se à garagem, e Lidiane o seguiu, portando um maço de cigarros e um isqueiro. Ela **afirmou que acionou o isqueiro para assustá-lo** com o barulho, mas, pouco depois, percebeu que a camiseta do homem começou a mudar de cor e, em seguida, surgiram as chamas. Imediatamente, Lidiane **tentou rasgar a camiseta** para apagar o fogo.
A filha do casal, de 22 anos, **relatou ter acordado com a discussão** e ouvido o pai correndo pelo quintal enquanto gritava por socorro. Ao sair do quarto, **encontrou o pai em chamas** e agiu rapidamente para buscar uma mangueira. A jovem também informou que os conflitos entre os pais haviam se intensificado nos últimos dois anos, período que coincidiu com a mudança do pai para Brasília, o que, segundo ela, **aumentou crises de ciúmes e desconfianças** por parte da mãe. Viaturas da **Polícia Militar** estiveram presentes no Hospital Proncor, acompanhando a ocorrência.
Após o incidente, a própria Lidiane **prestou socorro** ao marido. Ela o **conduziu de carro** até o Hospital Cassems, de onde ele foi posteriormente transferido para o Hospital Proncor. Durante o trajeto, o marido estava consciente. Em seu depoimento, a veterinária **expressou arrependimento** e **negou ter tido a intenção de machucar** o companheiro, reiterando que buscava apenas uma confissão. Ela afirmou: “Eu achei que era o único jeito dele falar a verdade. Que se eu ameaçasse, talvez ele fosse ficar com medo e abrir o jogo”.
A investigação também **apontou que Lidiane faz tratamento psiquiátrico** há anos, com diagnóstico de depressão, transtorno de ansiedade generalizada e síndrome do pânico, conforme relato da filha. A veterinária **confirmou o acompanhamento médico** e disse que estava há aproximadamente 15 a 20 dias sem tomar a medicação prescrita. Durante a audiência de custódia, a Justiça também **determinou que Lidiane receba atendimento médico imediato** na unidade prisional, assegurando as providências necessárias para preservar sua saúde e integridade física, demonstrando o compromisso com a proteção individual mesmo em regime de custódia.
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