A Justiça de Mato Grosso do Sul mantém a prisão preventiva do vereador Dionaldo Morinigo (PDT), de 49 anos, que também atua como subtenente do Corpo de Bombeiros. A medida é resultado de uma investigação que apura seu envolvimento em um grave acidente de trânsito em Ponta Porã, onde um adolescente de 17 anos ficou seriamente ferido, seguido de fuga do local e suspeita de tentativa de suborno a um policial civil. A ação demonstra a eficiência das forças de segurança e do sistema judiciário na garantia da ordem pública.
Resposta Imediata da Polícia Civil e Desdobramentos da Ocorrência
Os fatos que levaram à prisão iniciaram na noite da última sexta-feira, em Ponta Porã, cidade localizada na fronteira com o Paraguai. Dionaldo Morinigo, ao conduzir uma caminhonete Toyota Hilux em alta velocidade, teria passado por uma lombada e colidido lateralmente com uma Volkswagen Saveiro. O veículo atingido era conduzido pelo adolescente de 17 anos, que com o impacto, ficou desacordado e precisou ser encaminhado ao Hospital Regional com ferimentos graves.
Após a colisão, o vereador evadiu-se do local sem prestar socorro à vítima. A conduta foi, contudo, presenciada por um escrivão da Polícia Civil. Em uma ação imediata e decisiva, o policial iniciou a perseguição à caminhonete de Dionaldo, que se estendeu por aproximadamente dois quilômetros. A intervenção técnica do escrivão foi crucial para interceptar o investigado e assegurar o início da apuração dos fatos.
Durante a abordagem, conforme os registros da ocorrência, o parlamentar teria se apresentado como membro do Corpo de Bombeiros e agente político. Na sequência, teria tentado persuadir o escrivão a “resolver ali” a situação, evitando o acionamento policial. Essa declaração foi interpretada como tentativa de corrupção ativa, visando interferir na atuação dos agentes públicos. A investigação aponta que a tensão aumentou quando Dionaldo proferiu xingamentos e ameaças ao escrivão, afirmando que “iria pegá-lo depois”.
Além disso, as circunstâncias no momento da abordagem indicavam sinais de possível consumo de álcool. O vereador recusou-se a realizar o teste do bafômetro, porém, policiais envolvidos na ocorrência relataram características como cheiro de álcool, roupas desarrumadas, comportamento agressivo e exaltação. Latas de cerveja também foram localizadas no interior da caminhonete que ele conduzia, elementos que solidificaram as bases para a prisão em flagrante.
Prisão Preventiva e Medidas Cautelares Reforçam o Sistema de Justiça
Diante do conjunto de elementos reunidos pela investigação, o vereador Dionaldo Morinigo foi preso em flagrante. Os indiciamentos incluem lesão corporal no trânsito, corrupção ativa, desacato e ameaça, além do registro da fuga do local do acidente. A atuação integrada das forças policiais e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) foi fundamental neste processo.
O MPMS solicitou a conversão da prisão em flagrante para preventiva, pedido acolhido pela Justiça durante audiência de custódia. O juiz Rafael Vieira de Leucas considerou que, dadas as circunstâncias do caso – incluindo a fuga, a não prestação de socorro, a tentativa de corrupção e as ameaças – medidas cautelares mais brandas não seriam suficientes para a manutenção da ordem pública e a integridade da investigação.
Como parte das medidas cautelares, a Justiça também determinou a suspensão do porte de arma do vereador. Uma pistola Sig Sauer calibre 9 milímetros, de propriedade do investigado, foi apreendida pelas autoridades. O Comando-Geral do Corpo de Bombeiros foi oficialmente comunicado sobre os fatos, para que as devidas medidas administrativas sejam adotadas em relação ao subtenente.
Apuração Independente de Alegação de Violência Policial
Durante a audiência de custódia, Dionaldo Morinigo relatou ter sido vítima de violência no momento de sua prisão. Em estrita observância aos procedimentos legais e para garantir a transparência e a correção da atuação policial, o juiz determinou o encaminhamento do caso ao Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), órgão vinculado ao Ministério Público. O Gacep será responsável por apurar detalhadamente os fatos relatados, sem que essa apuração altere a decisão de manter a prisão preventiva neste momento.
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